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Arena para corrida de touros na cidade antitouradas começou a ser instalada

Começaram a ser vendidos 2.600 bilhetes, a 20 euros, para a corrida com os cavaleiros António Telles, Luís Rouxinol, Pedro Salvador, João Ribeiro Telles Júnior e Duarte Pinto, bem como o matador de toiros Luís Vital “Procuna”

A instalação de uma arena amovível, em Viana do Castelo, para a corrida de touros do próximo domingo, arrancou esta quarta-feira, dia considerado como “simbólico” para a organização na cidade que se apresenta como antitouradas.

“Tem um certo simbolismo, claro que ficamos satisfeitos por repor a legalidade em Viana do Castelo. O que se passou aqui nos últimos anos foi uma censura cultural”, afirmou à agência Lusa Diogo Costa Monteiro, presidente da comissão executiva da federação Prótoiro.

A montagem da arena amovível em terrenos agrícolas da freguesia de Areosa, na cidade de Viana do Castelo, está a cargo de oito elementos da Prótoiro e arrancou durante a manhã de hoje, quarta-feira, e deverá prolongar-se até final da semana. Segundo Diogo Costa Monteiro, esta arena, com capacidade para 3.300 pessoas, já assegurou, em 2012, cerca de 20 corridas de touros, essencialmente em cidades do norte do país, e está a ser transferida desde Ponte de Lima, que recebeu o último espectáculo do género.

PÚBLICO -
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Bilhetes a 20 euros

Hoje mesmo começaram a ser vendidos 2.600 bilhetes, a 20 euros, para uma corrida com os cavaleiros António Telles, Luís Rouxinol, Pedro Salvador, João Ribeiro Telles Júnior e Duarte Pinto, bem como o matador de toiros Luís Vital “Procuna”, numa organização que custará 20 mil euros.

A expectativa, entre bilhetes vendidos e convidados, passa por chegar às 2.800 pessoas, numa arena que terá direito a vigilância privada. “Os movimentos ecoterroristas em Portugal tem vindo a mobilizar-se, sobretudo nas praças do Norte, com actos de vandalismo. Nós, que estamos no terreno, sentimos isso na pele”, admitiu ainda Diogo Costa Monteiro.

A Câmara de Viana do Castelo deduziu, segunda-feira, oposição à decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga (TAFB) que autoriza a instalação da arena, alegando violação do Plano Diretor Municipal (PDM). O presidente da autarquia, José Maria Costa, afirma estar “seguro que não haverá tourada” em Viana do Castelo, apesar da suspensão do indeferimento da autarquia à instalação da arena, pelo TAFB.

Segundo a oposição deduzida pelo município com regime de urgência, a instalação do recinto no local previsto, uma zona de emparcelamento agrícola junto à costa, configura um “desrespeito pelo ambiente e pelo ordenamento do território” e por isso foi indeferido a 2 de Agosto. Os terrenos em causa, na freguesia de Areosa, estão classificados como Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN) e como tal não podem receber qualquer instalação do género, à luz do PDM, aprovado em 2008.

Para Diogo Costa Monteiro, não deixa de ser “extraordinário” que “o único argumento invocado pelo presidente da Câmara que defende a cidade antitouradas” seja, afinal, “a questão ambiental”. “É a prova de que está ciente da ilegalidade que comete desde 2009”, apontou o responsável da Prótoiro.

Adiantou que a decisão do tribunal, de permitir a instalação da arena - o evento em si já está licenciado pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais e Sociedade Portuguesa de Autores -, foi tomada “já com conhecimento” dos motivos invocados pelo município para o primeiro indeferimento.

Além das questões legais, José Maria Costa mantém a declaração, aprovada em Fevereiro de 2009 pelo executivo municipal, apenas com os votos favoráveis do PS, assumindo Viana do Castelo como a primeira cidade “antitouradas” em Portugal, em defesa dos direitos dos animais.