Adelaide Carneiro
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Adelaide Carneiro

Tem 18 anos e quer ser o melhor piloto de aviões telecomandados

Pilotar aviões à distância, fazer acrobacias e manobras complicadas. É o passatempo de João Paiva, o português que quer ser o melhor do mundo no aeromodelismo

Não é o balão do João, mas está lá perto. Chama-se João Paiva e tem um avião em miniatura — com 2,7 metros de envergadura.

Desde os 12 anos que dedica grande parte do seu tempo a "pilotar" um avião telecomandado. O aeromodelismo é algo pouco comum em Portugal, mas o jovem de 18 anos lá vai conseguindo "andar por competições".

Num dia normal de treino, João Paiva desloca-se de Gondomar até à freguesia de São Mamede de Coronado, na Maia, e, peça a peça, monta o avião que traz atrelado ao carro. Desta vez veio com o pai, o "principal culpado" pelo seu percurso no aeromodelismo.

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Primeiro encaixa as asas desmontáveis e dedica algum tempo ao motor. Enche o depósito (normalmente até um litro) e afina um ou outro parafuso.

A descolagem não faz muito ruído. Começam as acrobacias. "Loops, facas…..", explica o senhor Aníbal atento ao treino do filho. Durante mais ou menos cinco minutos faz inúmeras acrobacias "até conseguir atingir a técnica perfeita".

As provas têm sempre duas áreas: o freestyle (em que cada piloto constrói uma música de quatro minutos e dança com o avião) e o das tabelas (com determinadas acrobacias em sequência definidas pelo júri).

Se pudesse, João faria disto a sua vida. Ou melhor "teria a minha própria loja e marca para fazer os meus aviões e competir com eles". "O meu objectivo é chegar aos melhores do mundo", confessa.

Em Portugal, nesta modalidade e tipo de avião, são apenas três jovens em competições. "Isto não é futebol, porque se fosse até um relvado sintético tínhamos para treinar", observa o senhor Aníbal.

Quando não treina no campo de voo da LIPA (Liga de Iniciação e Propaganda da Aeronáutica), João Paiva pratica num simulador, "uma espécie de jogo de computador, mas com comando igual ao dos treinos não simulados".

Medo das hélices

Tinha "mais ou menos 12 anos" quando começou a gostar de aviões. "Quando era mais pequeno não gostava de aviões nem por nada. O meu pai bem tentava, mas eu tinha medo das hélices", confessa João Paiva.

Começou com os modelos mais pequenos e a partir daí foi sempre a evoluir. O mais desafiante é fazer manobras em baixa altitude. "O essencial é saber para que lado está o vento, sentimos o avião a mudar de trajectória e temos logo que compensar", explica.

"O pior momento, até hoje, foi quando parti um avião deste tamanho [2,7 metros]", observa. Algumas peças podem ser recuperadas, mas a maior parte das vezes é necessário um novo equipamento. Algo que actualmente "não é nada barato". "Quando o meu avião voa, costumo dizer que estão no ar três mil e tal euros".

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