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Já nos perguntaram por que é que não fizemos um programa de rádio

Maria TV, um canal que dá voz às mulheres de "niqab" no Egipto

A Maria TV tem uma emissão diária de seis horas no canal al-Ummah, no Egipto, uma cadeia religiosa gerida por salafistas

Abeer Shahin graduou-se na prestigiosa Universidade Americana do Cairo, mas teve dificuldades em arranjar um emprego por causa da aversão dos empregadores ao seu véu islâmico integral, o "niqab". Mas agora encontrou um trabalho que ela espera que venha a mudar de uma vez por todas a forma como a sociedade egípcia encara as mulheres que usam o "niqab".

Abeer Shahin é apresentadora de um novo canal de televisão que é feito só por mulheres que usam o véu islâmico integral."É injusto lidar com as mulheres que usam "niqab" como simples donas de casa.

Elas podem ser médicas, professoras ou engenheiras", diz Shahin, que veste um vestido preto largo e um lenço preto que deixa revelar apenas os seus olhos. "Disseram-me que [ser apresentadora de televisão usando o niqab] não ia resultar por causa da linguagem do corpo. Mas a verdade é que o tom da minha voz pode revelar as minhas emoções e reacções". 

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Numa era de novas liberdades no Egipto pós-Mubarak, as mulheres que usam "niqab" e que foram durante anos oprimidas social e politicamente esperam agora ocupar um novo lugar na sociedade.

Embora o Egipto seja uma sociedade profundamente conservadora e predominantemente muçulmana, as mulheres que usam "niqab" sempre se queixaram de discriminação no mercado laboral, na educação e noutras áreas.

 

Seis horas de emisão diária

Shahin espera que o canal, que foi lançado no passado fim-de-semana para marcar o primeiro dia do Ramadão, mostre às pessoas que "há mulheres de sucesso que usam o 'niqab'". Os islamistas ocuparam o centro da vida política egípcia após a queda de Mubarak no ano passado, mas os fundadores da Maria TV dizem que isso não tem nada que ver com o seu canal televisivo, que estava em preparação desde 2008.

A Maria TV tem uma emissão diária de seis horas no canal al-Ummah, uma cadeia religiosa gerida por salafistas (fundamentalistas islâmicos), que também surgiram como uma poderosa força política depois da revolução. "Tenho a certeza que vamos ser muito criticadas e atacadas", diz Shahin. "Já nos perguntaram por que é que não fizemos um programa de rádio" em que tudo se ouve e nada de vê. Mas isso, diz a apresentadora, seria estar a "excluir da sociedade um sector que não deve ser excluído".

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