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André Pereira, o treinador dos cavalos do xeque do Dubai

André Pereira tem 33 anos e ajudou a treinar o cavalo que venceu o Dubai World Cup 2012. Chegou a estudar para ser electricista, mas hoje é um dos responsáveis pelos animais de corrida do homem poderoso do Dubai

André Pereira chegou a estudar para ser electricista mas acabou por se tornar um dos treinadores dos cavalos do xeque Mohammed Al Maktoum, primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e emir do Dubai. Este ano, o português de 33 anos alcançou reconhecimento mundial ao vencer o Dubai World Cup 2012 — considerado uma espécie de "Fórmula 1 dos cavalos" — com o cavalo Monterosso.

Não é fácil a rotina de um treinador de cavalos empregado por um xeque. André chega às 6h ao local de trabalho — que pode ser tanto na Inglaterra como no Dubai — e verifica o estado de saúde dos 60 cavalos que tem ao seu cuidado. Presta atenção a cada um, verifica se comeram e se beberam durante a noite e se mantêm as patas em bom estado. Só assim sabe se estão ou não aptos para corridas.

O jovem com raízes em Ponta de Lima conta que “parece fácil mas é necessário ter um certo tacto e um olhar muito aperfeiçoado”, que têm vindo a “melhorar ao longo dos anos”. Depois de estar no picadeiro a observar os treinos dos cavalos, faz o relatório diário relativo a cada um dos animais, documento que é depois entregue que tem de entregar ao treinador principal Mahmood Al Zarooni. A rotina matinal repete-se à tarde e, com sorte, acaba às 18h30.

Um desporto que envolve milhões

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Quem tem a ideia de que as corridas de cavalos são coisa de rico, não se engana. O André aceita o rótulo e acrescenta que não é por acaso que o nome que os ingleses lhe atribuem é “sport of kings”. Ganha muitos milhares para treinar poldros que valem milhões — o Monterosso, por exemplo, valerá cerca de 50 milhões de dólares (aproximadamente 40 milhões de euros).

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Xeque Mohammed (à direita) celebra a vitória no Dubai World Cup 2012

Competir ao mais alto nível pede uma conta bancária, também ela, em altos níveis. É um mundo no qual circulam avultadas quantias de dinheiro e o treinador responde afirmativamente quando perguntamos se é fácil ficar deslumbrado com tamanha ostentação. Os escudos que diz utilizar para manter-se "humilde" são a reflexão e a introspecção, pois sabe bem que “às vezes quem tudo quer, tudo perde”.

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O actual treinador assistente pôde dizer várias vezes “missão cumprida” mas, neste momento, está empenhado em aprimorar-se e preparar-se para metas futuras. Quer progredir no emprego actual e espera um dia assumir “responsabilidade absoluta no que diz respeito à tomada de decisões no programa de treino e tácticas de corrida”.

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Xeque Mohammed (à direita) celebra a vitória no Dubai World Cup 2012

Um sonho: treinar em Portugal

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Só que o futuro não fica só pelo Médio Oriente ou Reino Unido: existe ainda o sonho de, “um dia, poder treinar em Portugal e ensinar futuros jóqueis e treinadores portugueses”. Contudo, André lamenta que o Governo não ofereça quaisquer apoios.

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André clarifica que “apesar de ter havido inúmeras ocasiões em que foram feitos estudos sobre as corridas de cavalos, continua a ser um projecto por concretizar.” Uma das formas de incentivo, seria o país se abrir às apostas mútuas hípicas para criar fundos para o desporto mas, como nota, “em Portugal são só promessas de compromissos que acabam sempre na gaveta.”

Treinar cavalos em Portugal seria uma forma de fechar um ciclo — afinal de contas, foi neste país, mais precisamente no Minho, que surgiu o interesse pela modalidade. André nasceu em Amsterdão, na Holanda, mas costumava passar as férias em Ponte de Lima. A família regressou a Portugal em 1996, quando surgiu a paixão pelas corridas — inicialmente como jóquei e, depois, como treinador. E o avô materno, o senhor Luís da Barca, ferrador e cavaleiro em Ponte de Lima, continua a ser a sua "a maior inspiração".