A grande maioria dos manifestantes apresentou-se sem farda nem cartaz Paul Hanna/Reuters
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A grande maioria dos manifestantes apresentou-se sem farda nem cartaz Paul Hanna/Reuters

Polícia retirou “indignados” que pernoitavam na Porta do Sol

De madrugada, a polícia retirou centenas de manifestantes que pretendiam passar a noite na praça Porta do Sol, em Madrid, na comemoração do aniversário do movimento 15M

Pouco antes das 5h, quando já estavam apenas algumas centenas de manifestantes na Porta do Sol, a polícia chegou e, em pouco tempo, evacuou a área, de acordo com informações do jornal espanhol El País e da agência AFP. As autoridades tinham determinado que os “indignados” deviam abandonar a praça até às 22h.

Os manifestantes que tencionavam pernoitar no local tentaram resistir à polícia, sentando-se e dando as mãos uns aos outros. De acordo com o El País, houve momentos de tensão entre as autoridades e os “indignados”. Acabaram por ser detidas 18 pessoas. 

Às 6h os acessos à praça estavam cortados, mas por volta das 7h30 já estavam reabertos ao trânsito.

Dezenas de milhares de pessoas juntaram-se neste sábado no protesto em Madrid (e que teve réplicas em várias cidades do mundo, incluindo em Portugal — vê texto à esquerda). Segundo a polícia espanhola, estiveram presentes cerca de 30 mil manifestantes. As imagens dão conta de uma praça a abarrotar. As autoridades foram também chamadas a intervir em Valência, Cádiz e Palma de Maiorca.

Uma nova enchente

“É a beleza do 15M, ninguém te pergunta nada, só o teu nome e passas logo a ser mais um”, resumia ao final da manhã de sábado Bene Llambra, psicólogo de 60 anos, membro das comissões Respeito e Informação do movimento 15M, assim chamado por ter nascido a partir um protesto realizado a 15 de Maio do ano passado na Porta do Sol de Madrid. Bene assegurava de que dali a umas horas haveria uma multidão na praça-símbolo do movimento. Tinha razão. Às 20h00 (menos uma hora em Lisboa) começaram a soar aplausos à medida que as diferentes marchas iam chegando. “De Norte a Sul, de Leste a Oeste, a luta continua, custe o que custar”, cantou-se.

Em coordenação com os Occupy norte-americanos, os “indignados” espanhóis decidiram celebrar o seu primeiro aniversário a 12 de Maio, dia de “Primavera global” ou “Maio global”. Mas em Madrid o 12M só acaba a 15 e vai ficar na rua até terça-feira com debates, postos de informação e concertos. Os pontos de encontro são as mesmas dez praças de onde este sábado saíram as marchas em direcção ao Sol.

“Eu não estive na greve geral”, de 29 de Março, afirma Silvia, 29 anos, há seis meses no desemprego, que veio até Madrid de um pequeno município no Leste da cidade. “A mim os sindicatos não me representam. Mas o 15M sim, gente de todas as idades, sexos e cores. Aqui não há bandeiras, há pessoas.” Um casal passa com o filho num carrinho: “Tenho um ano e já fui a sete manifestações, alguma coisa está mal”, lê-se no cartaz preso por cima da cabeça do bebé. 

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