Crítica

Nana

Se fosse só um olhar sobre a infância que a arrancasse aos estereótipos com que ela é hoje comummente olhada, já seria especial. Mas é mais do que isso: é um entendimento desse olhar feito acção, feito performance. Se o filme - se a “história” do filme - liberta a miúda da família, é para a filmar na absoluta solidão (quase “ficção científica”) de um mundo abandonado, espécie de última sobrevivente num mundo desertado. Tudo é aventura, cada plano é acção e, mais, cada plano é o registo de uma acção: atravessar uma floresta, lidar com os objectos (grandes de mais) que os adultos deixaram. Vimos o que talvez nunca tivéssemos visto: uma criança a tornar-se dona do mundo. Muito belo.