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Crónica de jogo: Sporting mantém onda positiva e venceu o Nacional na Madeira

Equipa de Sá Pinto venceu na Madeira
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Equipa de Sá Pinto venceu na Madeira Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP

O Sporting é, definitivamente, uma equipa renascida: com velocidade, pressão, emocionante e capaz de rematar à baliza adversária. Com a chegada de Sá Pinto, a equipa saiu daquilo que parecia ser um estado de coma. Neste domingo, continuou a onda positiva num terreno onde já não somava três pontos desde a temporada de 2006/07. Isto apesar da revolução que o técnico realizou na equipa — Sá Pinto não levou à Madeira habituais titulares como Rui Patrício, Polga, Insúa e Capel, que se juntaram ao castigado Elias. E ainda deixou no banco Schaars, Izmailov e Wolfswinkel.

Para o ataque, a aposta do técnico “leonino” foi Diego Rubio, que entrou bem e saiu mal. O avançado chileno, de 19 anos, encarregou-se de abrir a defesa dos madeirenses logo nos primeiros minutos, aproveitando um ressalto de um livre de André Martins.

Os centrais do Nacional, Danielson e Neto, nem se podiam queixar de excesso de trabalho. Tiveram pela frente, fundamentalmente, um Sporting a pressionar muito alto e com extrema eficácia.

No segundo lance de perigo dos “leões” chegou novo golo, um grande golo de Renato Neto, aos 31’, com um remate indefensável de fora da área — o brasileiro recebeu a bola de André Martins e com ela no ar encheu o pé.

Poderia pensar-se que os madeirenses estavam derrotados, mas o jogo resultou espectacular. Surpreendeu a capacidade de reacção do Nacional e a sua falta de eficácia. Também surpreendeu a incapacidade de Sá Pinto de dar maior atenção ao flanco direito, onde Candeias parecia ser demasiado para Evaldo. O brasileiro também pode apontar o dedo a Carrillo que nunca mostrou grande disponibilidade para ajudar nas tarefas defensivas. Cada subida do extremo da formação madeirense era um drama para a defesa de Alvalade. Valeu muitas vezes o regressado Onyewu a aparecer como pronto-socorro. Aconteceu em duas ou três ocasiões, mas a equipa de Pedro Caixinha relançou o jogo, aos 34’, com um golo de Mateus. O avançado limitou-se a aproveitar um cruzamento de Candeias e a passividade defensiva para fuzilar Marcelo. Um golo inteiramente merecido de uma equipa que pecou, sobretudo, por não ter mais presença na área, acompanhando Rondon. O venezuelano estava só entre Onyewu e Xandão. Faltava Keita, até porque Diego Barcelos esteve sempre mal.

Sá Pinto surpreendeu ao intervalo ao trocar Renato Neto por Schaars. O holandês tem outra capacidade de gerir o jogo, tanto em termos ofensivos, como defensivos. Mas Sá Pinto não contava com um disparate enorme de Rubio que resolveu meter de forma ingénua a mão a uma bola onde não chegou com a cabeça e, por isso, viu o segundo amarelo. Sá Pinto tirou André Martins e colocou em campo Wolfswinkel. Ao contrário daquilo que se poderia pensar, o técnico do Sporting não procurou defender e a terminar tirou o lateral Arias fazendo entrar Jeffren, ficando com dois extremos muito perigosos: o espanhol e Carrillo, alas capazes de disfarçarem a inferioridade.

O Nacional apostou, finalmente, em Keita que, em dois minutos, aos 75’, empatou o jogo. Mas um minuto depois Wolfswinkel arrancou, entrou na área e sofreu grande penalidade, que converteu.

A parte final do jogo foi de um espectacular Marcelo Boeck. O guarda-redes provou que é uma alternativa credível a Rui Patrício.

A FIGURAMarcelo Boeck

Chegou ao Marítimo na temporada 2007-08, por 400 mil euros. A sua vida no Marítimo não foi fácil. Jogou na equipa B e quando se lhe abriram as portas da formação principal debateu-se com um concorrente de respeito: Peçanha. Só um castigo de quatro jogos imposto ao seu colega, em 2010-11, é que conquistou a titularidade. As suas exibições convenceram o técnico Van der Gaag e mais tarde Pedro Martins. Foi um dos pilares da equipa e o Sporting adquiriu o seu passe por cerca de 500 mil euros. Em Alvalade vive à sombra de Rui Patrício mas neste domingo mostrou que, a qualquer momento, pode ser a primeira opção.


POSITIVOCandeias

Candeias foi sempre o homem mais esclarecido do Nacional. Colocou muitas vezes Evaldo em sobressalto e construiu as jogadas mais perigosas da sua equipa. A jogada do primeiro golo dos madeirenses saiu dos seus pés. Rápido, com técnica, foi um dos grandes responsáveis por se manter sempre uma incógnita sobre o resultado final.


NEGATIVOCarrillo

O extremo do Sporting foi uma unidade com pouco rendimento. Não criou desequilibrios pelo seu flanco e nunca ajudou Evaldo em termos defensivos.


Diego Rubio

O avaçado entrou bem no jogo. Marcou o primeiro golo da equipa e mostrou bons pormenores. Mas deitou tudo a perder quando resolveu meter a mão a uma bola a que não conseguia chegar com a cabeça. Viu o segundo amarelo e foi expulso.


Ficha de Jogo

Nacional, 2


Sporting, 3


Jogo no Estádio da Madeira, no Funchal
Espectadores Cerca de 3.000


Nacional

Marcelo a76’, João Aurélio a45’ (Skolnik, 61’), Neto, Danielson, Marçal, Moreno (Keita, 72’), Claudemir, Candeias a83’, Diego Barcellos, Mateus e Rondon a70’ (Márcio Madeira, 88’). Treinador Pedro Caixinha.


Sporting

Marcelo Boeck a90’+3’, Arias (Jeffren, 65’), Xandão, Onyewu, Evaldo, Carriço, Renato Neto (Schaars, 46’), Pereirinha, André Martins (Wolfswinkel, 61’), Carrillo e Rúbio a36’ e 59’ a59’. Treinador Sá Pinto.


Árbitro

Carlos Xistra, de Castelo Branco.

Amarelos

Rúbio (36’ e 59’), João Aurélio (45’), Rondon (70’), Marcelo (76’), Candeias (83’), Marcelo Boeck (90’+3’)

Vermelhos

Rúbio (59’).

Golos

0-1, por Rúbio, aos 11’; 0-2, por Renato Neto, aos 31’; 1-2, por Mateus, aos 33'; 2-2, por Keita, aos 74'; 2-3, por Wolfswinkel, aos 77’ (g.p.)

Notícia actualizada às 22h04