À Lupa

Os melhores 45 minutos com Sá Pinto

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1. A (justa) reviravolta aconteceu quando o Sporting parecia já sem forças e prostrado no tapete e o Athletic ameaçava aplicar o knockout. Mas a vitória por apenas um golo acabou por ser um prémio insuficiente para quem só teve 15 minutos de delírio. Antes e depois disso, o Sporting foi mais forte e construiu oportunidades para poder ir tranquilo ao País Basco. Só à sua conta, Wolfswinkel desperdiçou quatro. No resto até esteve bem, mas tanto desaproveitamento não abona nada a favor de quem veste a camisola nove.

2. A surpresa da ausência de Matías (o propalado desgaste muscular não é fácil de aceitar depois de uma semana e meia sem competição...) rapidamente foi ultrapassada. Porque o Sporting começou por fazer os melhores 45 minutos que já se lhe viram desde que entrou Sá Pinto e porque André Martins provou ter muito futebol nas chuteiras. O miúdo (22 anos) de Argoncilhe mede apenas 1,69m, para 61 quilos de peso, mas é a prova de que os melhores perfumes se revelam nos pequenos recipientes.

3. O Sporting repetiu o 4x2x3x1 e André Martins servia de apoio a Wolfswinkel. Já tem jogado noutras posições, mas é ali que a sua inteligência, técnica aprimorada e rapidez de processos mais se revelam. De resto, ao invés do habitual, Capel começou na direita e Izmailov no corredor contrário.

4. No Athletic, tudo como era esperado, incluindo o 4x3x3 de vocação ofensiva. Mas nem sinal do dinamismo que já se lhe viu noutras alturas. Confirmou-se assim a sua irregularidade. Tinha muita bola (terminou o primeiro tempo com 56%), mas perdia-a em zonas perigosas, dando azo a saídas rápidas do Sporting.

5. O Sporting teve então muito mérito. Impôs um ritmo alto e, jogando em antecipação, roubava bolas e saía bem em transições rápidas. Faltou-lhe apenas pontaria. O Athletic, uma equipa alta, só se mostrava nos lances de bola parada.

6. Ao intervalo, a dúvida que se colocava era se o Sporting iria ter pulmões para aguentar aquele ritmo. Mas voltou a entrar bem. Mantinha o bloco médio/baixo que lhe permite esconder debilidades. E explorava bem os problemas de recuperação defensiva do Bilbau.

7. O Athletic marcou (de livre, claro...) quando pouco fizera para o justificar. Depois sim, deu um ar da sua graça e até podia ter elevado a vantagem (Amorebieta atirou ao poste, por exemplo). O Sporting passou então por uma fase complicada.

8. Sá Pinto continua com boa estrelinha, porque o empate também caiu quase do céu, independentemente da inteligência de Insúa (rematou de cabeça a onze metros da baliza).

9. O golo do empate renovou a alma leonina, mas a Sá Pinto também deve ser creditada a coragem de ter usado as substituições para dar mais tracção ofensiva. Capel já não vai a tempo de aprender a não olhar sempre para a relva, mas marcou um bom golo de meia distância e fez o centro que originou o empate.

10. A eliminatória continua em aberto, até porque o Athletic tem sido menos fiável no seu estádio. É uma pena Izmailov ir cumprir castigo, mas De Marcos também irá fazer muita falta nos bascos.

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