Trabalhadores da RTP classificam de "vergonha" o pedido da administração de excepção aos cortes salariais

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CT enviou carta aberta ao ministro das Finanças com críticas à actuação da equipa de gestão do grupo público de TV e rádio PÚBLICO

Numa carta aberta ao ministro das Finanças, a CT afirma que ao requerer que os seus membros fiquem isentos do limite de vencimento de 6850 euros mensais - que é o valor atribuído ao chefe do executivo -, a administração da RTP está a pedir para lhe ser reconhecido "mais mérito do que ao Governo e, concretamente, mais do que ao primeiro-ministro".

"Nisso não haveria nada de mal", dizem os trabalhadores, "se a gestão da RTP fosse realmente melhor do que a governação do país". O ónus da questão está agora nas mãos de Vítor Gaspar: depois de ter ouvido o ministro falar em Washington sobre "a necessidade de uma justa repartição dos sacrifícios" a CT considera que ter uma administração "a receber vencimentos superiores aos do primeiro-ministro seria um escárnio para essas declarações" e "seria, para o Governo, uma vergonha".

Na carta, a CT deixa duras críticas à actuação da equipa liderada por Guilherme Costa que, diz, "não tem estado à altura das suas responsabilidades" e por isso também não estará "à altura do privilégio que agora requereu e a que outros gestores, da CGD e da Empordef, aparentemente preferiram renunciar". Mais: os trabalhadores dizem ter entregue à administração um pedido para que requeresse junto do Governo uma excepção aos cortes salariais, como aconteceu na TAP. Mas além de não lhes ter respondido, o Conselho de Administração "tratou, pelo contrário, de pedir uma excepção para si próprio".

Entre os exemplos de má gestão está o facto de a TDT estar actualmente "nas mãos da PT, parte interessada e suspeita" em vez de ser uma "oportunidade para fazer chegar gratuitamente mais e melhor TV a mais públicos". Mas também o "processo de audimetria que desacredita o trabalho" dos profissionais do grupo público, "deflaciona o número de espectadores e prepara o caminho para a privatização a preço de saldo". E ainda a "pouca ou nula transparência" da gestão desta administração que não entregou ao Conselho de Opinião, ao Parlamento ou à CT o plano de actividades nem o relatório e contas. Para além de continuar a realizar "em tranches" a reestruturação do grupo sem divulgar os pormenores do plano.

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