"Caso Cardinal": Análise do material apreendido pela PJ vai demorar algumas semanas
A Polícia Judiciária ainda está a analisar o material apreendido nas dez buscas efectuadas na semana passada no âmbito do caso Cardinal e os inspectores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) deverão demorar mais umas semanas a terminar essa avaliação. A análise de parte do conteúdo que estava dentro dos computadores apreendidos ao vice-presidente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, teve que ser posteriormente autorizada por um juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, o que atrasou o processo. Isto porque alguma informação, como o correio electrónico é equiparada pelos tribunais a escutas telefónicas, o que, sendo um meio especialmente invasivo da privacidade, exige que um juiz autorize expressamente a sua consulta pela polícia. Segundo o PÚBLICO apurou a investigação, dirigida pela 9.ª Secção do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa que está a trabalhar com a UNCC, mantém-se centrada na denúncia caluniosa qualificada de que Pereira Cristóvão é oficialmente suspeito e o processo-crime deverá permanecer em segredo até o inquérito estar concluído. Até agora não surgiram evidências de que o vice-presidente do Sporting dirigisse uma alegada rede de vigilância, mas ainda que tal fosse verdade esses crimes só poderiam ser investigados caso houvesse alguma queixa dos visados, uma vez que o crime de devassa da vida privada, que prevê uma pena de prisão até um ano ou multa até 240 dias, a isso obriga. Mariana Oliveira

Reintegração de Pereira Cristóvão causa desconforto no Sporting

Foto
Pereira Cristóvão Foto: Nuno Ferreira Santos

"Posso adiantar que teríamos preferido a solução inicial, em que Godinho Lopes acertou a suspensão do mandato de Paulo Pereira Cristóvão da vice-presidência. Tinha lógica, protegia o Sporting e acelerava as coisas", defendeu Eduardo Barroso, remetendo para a próxima semana mais desenvolvimentos sobre este assunto: "A Mesa da Assembleia Geral não vai falar mais sobre este assunto até ao próximo Conselho Leonino [no próximo dia 23 de Abril] e à Assembleia Geral do clube [a 24 de Abril]."

Na base da alteração da posição de Paulo Pereira Cristóvão, poderão estar as orientações de Rogério Alves que, desde a última sexta-feira, foi constituído advogado do "vice" "leonino". Com esta reintegração, o empresário pretende reforçar que está inocente neste processo. Por outro lado, o facto de não estar previsto nos estatutos do clube a figura de "suspensão de mandato", mas apenas a "renúncia", acaba por facilitar a reintegração de Pereira Cristóvão.

Para já, os seus objectivos foram alcançados, restando agora saber como irão reagir, na próxima semana, os notáveis do Conselho Leonino (órgão consultivo do clube), pois muitos dos seus elementos já manifestaram o seu desagrado pelos desenvolvimentos neste caso.

A reunião da próxima segunda-feira, assim como a assembleia geral do dia seguinte, prometem não ser pacíficas (apesar deste tema não figurar na ordem de trabalhos) e já algumas vozes de ambos os órgãos colocam a hipótese de um cenário de demissão da actual direcção.

A par da reintegração de Cristóvão, a direcção do clube decidiu, após uma reunião de várias horas em que foram evidentes as divisões que este assunto está a gerar, solicitar ao Conselho Fiscal e Disciplinar a "instauração de um procedimento prévio de inquérito" no caso em que o vice-presidente é acusado de "denúncia caluniosa qualificada" por, presumivelmente, ter montado um estratagema para denegrir a imagem do árbitro-assistente José Cardinal, na véspera do jogo Sporting-Marítimo (3-0), dos quartos-de-final da Taça de Portugal, disputado a 22 de Dezembro do ano passado.

A própria decisão de avançar com o inquérito depois do anúncio de retorno de Pereira Cristóvão é já um sinal das divergências que existem.