Crise

Merkel dá Madeira como exemplo de má aplicação dos fundos estruturais

Merkel defendeu uma maior transferência de poderes dos estados-membros para Bruxelas
Foto
Merkel defendeu uma maior transferência de poderes dos estados-membros para Bruxelas Foto: Thomas Peter/Reuters

A chanceler alemã, Angela Merkel, deu na terça-feira a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, sublinhando que naquela região autónoma estas verbas "serviram para construir túneis e auto-estradas, mas não para aumentar a competitividade".

"Quem já esteve na Madeira, pôde ver para onde foram os fundos estruturais europeus. Há muitos túneis e auto-estradas bonitas, mas isso não contribuiu para que haja mais competitividade", observou a chefe do governo alemão, numa palestra proferida perante alunos, na Bela Foundation, em Berlim, noticiada esta noite pela RTP.

Na opinião de Merkel, os referidos fundos devem servir para apoiar as pequenas e médias empresas, por exemplo, como ficou decidido no recente Conselho Europeu, em Bruxelas, e não mais para construir estradas, pontes e túneis, como sucedeu, na sua opinião, naquela região autónoma portuguesa.

A União Europeia aprovou a distribuição de cerca de 350 mil milhões de euros de fundos estruturais pelos Estados-membros no período entre 2007 e 2013, cabendo a Portugal cerca de 25 mil milhões de euros.

Uma proposta franco-alemã aprovada no Conselho Europeu, no início de Fevereiro, prevê o reencaminhamento dos fundos estruturais que ainda não tenham sido orçamentados para criar mais emprego e crescimento económico, sem prejuízo, no entanto, da verba orçamentada para cada país.

Na mesma palestra, Merkel defendeu ainda uma maior transferência de poderes dos Estados-membros para Bruxelas, para que se possam erradicar as deficiências na construção europeia, "que a crise financeira pôs claramente a descoberto", disse. Admitiu, no entanto, que esta mudança "gerará acesos debates" na União Europeia.

A futura união política que resultar destas alterações terá também de ter uma Comissão Europeia "que funcione como um governo europeu", disse ainda. O Conselho Europeu dos 27 chefes de Estado e de governo funcionará como uma segunda câmara do parlamento, prosseguiu Merkel.

A chanceler alemã voltou também a defender a permanência da Grécia no euro, advertindo, no entanto, que Atenas tem de cumprir os compromissos assumidos com a União Europeia e o FMI para receber um primeiro resgate de 110 mil milhões de euros, e para aceder a um segundo empréstimo de 130 mil milhões de euros.