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É claro que os casais se beijam
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Imagens recusadas pela Metro de Lisboa são inócuas

Imagens da campanha rejeitada pela Metro de Lisboa são “inócuas”

"Absolutamente incompreensível", reage a ILGA. "É claro que os casais se beijam", sustenta o Portugal Gay. O Bloco de Esquerda já questionou o Governo sobre o caso

As associações que representam a comunidade LGBT não vêem nada de particularmente ousado nas fotografias da campanha publicitária da rede social gay Manhunt. Estas imagens foram produzidas para serem expostas como múpis (mobiliário urbano para informação) no Metropolitano de Lisboa (ML). A campanha, contudo, não foi aprovada pela empresa de transportes, que temia “ferir susceptibilidades”.

Paulo Côrte-Real, presidente da Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero (ILGA) em Portugal, acha que a ideia de que a empresa Metro de Lisboa não quer “ferir susceptibilidades”, no que toca “às imagens em si”, é a “absolutamente incompreensível”.

Se a rejeição da campanha está baseada apenas na sua representação visual, e não no conteúdo do produto publicitado, então o responsável da ILGA Portugal acredita que podemos estar diante de um caso de discriminação. Mas, até dispor de mais informação, Paulo Côrte-Real prefere manter-se incrédulo. “Não queremos crer que a Metro de Lisboa seria capaz de discriminar, o que seria aliás contrário à própria constituição portuguesa”, afirmou ao P3 numa conversa por telefone.

"É claro que os casais se beijam"

João Paulo, do Portugal Gay, também considera as imagens “totalmente inócuas”. “O que é que a foto mostra? Dois homens a beijarem-se? Mas isso não é normal num país onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo é já uma realidade? É claro que os casais se beijam — queriam que estivessem a fazer renda?”, questiona João Paulo.

O director da Portugal Gay vê a atitude do Metropolitano de Lisboa (ML) como uma “não resposta”, ou melhor, “como uma resposta politicamente correcta para não ferir a susceptibilidade de alguns clientes”. Porque, como refere, o grupo de passageiros que compõem a clientela da Metro de Lisboa é heterogéneo e possui várias sensibilidades.

Neste episódio, João posiciona-se ao lado da rede social Manhunt: “a única resposta que o Metro de Lisboa tinha de dar era cumprir” a sua parte no acordo. “Há um contrato celebrado e, segundo li na notícia do P3, também já pago, por isso a única coisa a fazer é honrar o contrato. E também honrar a carta de princípios do próprio Metro de Lisboa, que se compromete a servir toda a gente independentemente de cor, credo ou orientação sexual”.

Os activistas do Clube Safo também repudiam a posição do Metro de Lisboa. Acreditam que esta "ilustra bem a política homofóbica que caracteriza as grandes empresas", afirmou a direcção da associação LGBT num e-mail enviado P3. E, como exemplo, relembram "o recente episódio da Tranquilidade relativamente ao artista João Pedro Vale".

Bloco de Esquerda questiona Governo

O Bloco de Esquerda (BE) questionou, esta terça-feira, o Governo se tinha conhecimento do caso Manhunt. Num comunicado enviado à comunicação social, o BE afirma que se trata de discriminação e homofobia, "já que, como é do conhecimento de todos os utentes do Metro, o ML tem aceitado publicidade com explícita conotação sexual".

Iúri Vilar, responsável em Portugal pela Manhunt, adiantou ao P3 que até à tarde desta terça-feira não havia sido contactado quer pela Metro de Lisboa quer pela Multimedia Outdoors Portugal (a empresa que gere a publicidade na Metro de Lisboa). Já foram pedidos à empresa Manhunt, na última sexta-feira, os dados necessários para a restituição do dinheiro avançado. A MOP garantiu ao P3 que a transferência já foi efectuada e que o montante deverá chegar em breve à conta da Manhunt. De qualquer forma, a Manhunt já está a preparar-se para recorrer aos tribunais.

Notícia actualizada em 03/02/12 às 20h31 Foi acrescentada reacção do Clube Safo ao caso Manhunt