Informação do Ministério Público

“Rei Ghob” é arguido em pelo menos mais seis crimes

A pista foi dada durante o interrogatório por uma testemunha
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A pista foi dada durante o interrogatório por uma testemunha Foto: Rui Gaudêncio

O homem conhecido por “Rei Ghob”, que está a ser julgado por quatro homicídios, foi constituído arguido em pelo menos mais seis crimes, um dos quais um homicídio, segundo o Ministério Público (MP).

Segundo o MP da Lourinhã, Francisco Leitão foi constituído arguido num processo instaurado em 2011, que se encontra em investigação, em que é suspeito de homicídio. Da acusação do quádruplo homicídio, o MP mandou extrair certidão para investigar o desaparecimento de Luís Paulo, um jovem de 16 anos com quem o arguido terá tido relações laborais e sexuais.

A pista foi dada durante o interrogatório por uma testemunha, Mara Pires, amiga do arguido e alegadamente cúmplice na morte de uma das quatro vítimas: a última vez que viu Luís Paulo estava “cheio de sangue” e “inanimado amarrado pelos pulsos e pelos pés” e poderá ter sido morto, depois de terem terminado o envolvimento amoroso, explicou à Lusa fonte judicial.

Francisco Leitão foi também constituído arguido num caso de rapto de Mara Pires, cometido em co-autoria com outra testemunha do processo do quádruplo homicídio, conhecida por “João da roulotte”. Os dois crimes terão sido cometidos para fazer calar as vítimas do que observavam na casa-castelo, pertencente ao arguido.

Falsas declarações e fraude fiscal

Na comarca onde reside, corre também um outro processo, em segredo de justiça e a ser investigado, em que o sucateiro é suspeito do crime de abuso sexual de 18 menores, os “gnomos” que frequentavam o “castelo” e um dos sobrinhos da irmã com quem partilha a casa. De acordo com a referida acusação, a Polícia Judiciária encontrou fármacos na residência que seriam usados pelo arguido para drogar as crianças e levá-las a praticar relações sexuais, o que levou o MP a extrair certidão para vir a acusá-lo de tráfico de estupefacientes no mesmo processo.

Ainda na comarca da Lourinhã, Francisco Leitão foi também constituído arguido em dois crimes de falsas declarações, abertos em 2010 e 2011, e outro de fraude fiscal, relativo a 2009. O arguido consta da lista dos principais devedores publicada no site do Ministério das Finanças e deve ao Estado mais de um milhão de euros.

“Rei Ghob” estará indiciado de outros crimes de simulação de crimes, explicados pelo comportamento do estratega em situações como quando fingia ser encarnado por entidades para causar receio nos menores, fazia montagens nos vídeos que publicava no Youtube ou enviava em nome das vítimas mensagens escritas dos seus telemóveis para as respectivas famílias para lhes fazer crer que estavam vivas. O MP mandou também investigar o arguido por suspeitas dos crimes de profanação de lugar fúnebre, incêndio e violência doméstica.

Os primeiros crimes cometidos por Leitão remontam a 1995, tendo sido condenado por falsificação de documentos e burla qualificada, crimes aos quais se acrescem os de detenção de arma proibida (2011) e emissão de cheque sem provisão. O arguido, que está em prisão preventiva, começou no dia 9 a ser julgado por um tribunal júri, em Torres Vedras, por quatro homicídios, ocultação de cadáver, falsificação de documentos e detenção de arma proibida.