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No museu dos corações partidos o desamor é arte

Em Zagreb, há um museu que junta aquelas peças que insistem em tornar mais doloroso o fim das relações. Todos podem doar

Há um vestido de casamento, ursinhos de peluche, porta-chaves, umas cuecas de tamanho demasiado pequeno, álbuns de fotografia. E há algemas, um martelo e o telemóvel dele, dado à ex para que ela nunca mais pudesse ligar-lhe. Há todas aquelas coisas que podiam estar nas nossas casas, quais trunfos de uma relação construída, mas que estão num museu, sinais feridos de relações quebradas.

Quando Olinka Vistica e Drazen Grubisic terminaram a relação de quatro anos, decidiram fazer arte disso – apresentaram uma exposição, em 2006, que acabou por se tornar itinerante.

Dessa partilha espontânea surgiu o Museu das Relações Terminadas, em Zagreb, na mesma rua onde se realizam grande parte dos casamentos da cidade. Os objectos expostos são reais: podem ser doados por qualquer pessoa que queira livrar-se daquela recordação que insiste em mostrar-se na sala lá de casa. E há muita gente a querer fazê-lo, juntamente com textos com mais ou menos raiva contida.

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Uma espécie de terapia

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“É assim quando somos novos, ingénuos e estamos apaixonados. Não percebemos que ele só quer namorar connosco para nos levar para a cama.” O texto acompanha o ursinho de peluche abraçado a um coração vermelho com a declaração “I love you”. Foi uma prenda de dia dos namorados, que resistiu ao fim de uma relação no cimo de um armário, embrulhado em plástico. Está agora em Zagreb, como peça de museu.

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O Museu das Relações Terminadas é uma forma de fazer da arte uma terapia, uma espécie de substituto aos ataques de fúria que levam a rasgar fotografias, a mandar pela janela aquele anel, a queimar numa fogueira todas as lembranças.

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Os criadores queriam afastar do final das relações a imagem de algo muito negativo: porque não há nada de mais universal do que o amor – e o desamor. Parte do museu vai alimentando também as exposições que viajam um pouco por todo o mundo: Berlim, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Londres e Houston são algumas das cidades por onde a exposição já passou.

A originalidade do espaço – cuja entrada custa cerca de 30 cêntimos - já lhe valeu, em Maio, o Prémio Europeu de Museus como o mais inovador da Europa.

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