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Sandino, o homem que, nos anos 30, fez frente aos norte-americanos Rui Barbosa Batista
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León, a Revolução imortalizada nas paredes

Estas obras de arte serviam para educar. E encorajar. Sublevar o povo e entusiasma-lo pela causa sandinista. Ou simplesmente para relembrar os heróis que a defendiam

A América Central conta-se nas ruas. Por toda a parte, murais relatam a sua história. O que foi. O que é. O que desejam que seja. Politica, sociedade, religião…

Em León, Nicarágua, o graffiti vai mais além. Conta a alma de um povo em tumultuoso século XX. E glorifica os muitos que arriscaram a vida para dar voz a uma causa. O berço da Revolução continua a mostrar o orgulho dos sandinistas. E a recordar a ousadia de Rigoberto López Perez.

Este filho de León é um dos vários heróis sandinistas retratados em mural. Deu a vida para tirar a de Anastasio Somoza (1956). Mostrou que os ditadores também morrem. Sabendo que pereceria com a sua missão homicida, na carta que escreveu à mãe revelou o seu sentido de dever. Desejava “iniciar o princípio do fim desta tirania”, referiu. Despediu-se da progenitora com um “de su hijo que siempre la quiso mucho” (do seu filho que sempre a amou muito).

Rigoberto López Perez explicou os seus motivos em poema: "Yo estoy sufriendo/ Yo tengo el dolor de mi patria?y en mis venas anda un héroe?buscando libertad/ Yo estoy buscando el pez de la libertad . . .?en la muerte del tirano".

A ditadura dos Somoza teve em León os seus principais obstáculos. Além do assassínio do primeiro presidente da família que os americanos tentaram eternizar no poder, foi nesta cidade universitária por excelência que floresceu o pensamento liberal. Que persiste…

Durante a revolução sandinista, nos anos 70, artistas, poetas e soldados arriscaram a vida ao pintar murais. Foi nesta arte que exaltaram a sua causa. Que difundiram os seus valores. Glorificaram quem deu a vida pela revolução. Impuseram desta forma a sua voz nas ruas palco de intensas e sangrentas batalhas entre sandinistas e os defensores dos Somoza.

Estas obras de arte – muitas foram apagadas ao longo dos anos, mas várias resistiram ao tempo — serviam para educar. E encorajar. Sublevar o povo e entusiasma-lo pela causa sandinista. Ou simplesmente para relembrar os heróis que a defendiam.

Os revolucionários (os sandinistas foram fundados apenas em 1961 por Carlos Fonseca e Tomás Borge, entre outros) foram inspirados por Sandino. Augusto Nicolás Calderón Sandino foi o homem que, nos anos 30, fez frente aos ‘marines’ norte-americanos que chegaram à Nicarágua para ajudar a colocar Somoza no poder. Formou o primeiro grupo de sandinistas. Organizou-os e lutou desde as montanhas. Até o inimigo exterior abandonar o país.

Foi enganado e traído quando negociava a paz interna na Nicarágua, sendo executado em 1934 pelo general Anastasio Somoza que dois anos depois iniciaria a sua ditadura. Que terminou com o seu assassinato.