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Morreu o escritor Christopher Hitchens

Escritor morreu aos 62 anos
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Escritor morreu aos 62 anos Reuters

O jornalista e escritor britânico Christopher Hitchens morreu de pneumonia, nesta quinta-feira, aos 62 anos num hospital do Texas. O autor de “Deus não é grande” (D.Quixote) não resistiu ao cancro no esófago, descoberto em Junho do ano passado, quando se preparava para lançar o seu livro de memórias “Hitch-22”.

A notícia foi avançada pela Vanity Fair, revista com a qual o escritor colaborava, que define Christopher Hitchens como “um crítico incomparável, sagaz, destemido e um bom vivant”. “Nunca haverá ninguém como o Christopher.”

Desde que descobriu que sofria de cancro, a mesma doença que matou o seu pai, que Hitchens fez da doença tema de muitos dos seus artigos na coluna da Vanity Fair, onde apontava a morte como uma certeza a curto prazo. “Eu adoro o imaginário da luta. Por vezes desejaria que estivesse a sofrer por uma boa causa ou que arriscasse a minha vida pelo bem dos outros, em vez de ser apenas um paciente às portas da morte”, escreveu Hitchens em Agosto de 2010.

Sempre muito controverso e com os seus ideais bem definidos, Christopher Hitchens nunca teve medo de escrever, dizer e demonstrar tudo o que pensava e defendia, fosse sobre os políticos e o estado da governação do mundo ou mesmo sobre religião. Mais do que jornalista ou escritor, Hitchens foi um orador e filosofo, que desde cedo incomodou.

Foi visto como um dos representantes mais importantes do novo ateísmo, tendo sido frequentemente referido como um dos quatro "Cavaleiros do Apocalipse", juntamente com os ateístas Richard Dawkins, Sam Harris e Daniel Dennett. Christopher Hitchens definiu-se como um crente nos valores filosóficos do Iluminismo, para quem a livre expressão e a investigação científica deveriam substituir a religião como meio de ensinar ética e definir a civilização humana.

Foi crítico literário mas no jornalismo foi como correspondente de guerra que se destacou, ganhando a reputação de um homem muito inteligente e com grande sentido crítico, que facilmente dirigia duras críticas a várias figuras conhecidas, sem temer quaisquer represálias.

Enquanto correspondente da New Statesman, uma revista da esquerda britânica, Hitchens esteve em Portugal em 1975 para fazer a cobertura da Revolução. Trabalho que também o levou à Polónia, à Checoslováquia e à Argentina, sempre nos momentos cruciais da luta dos países contra os regimes totalitários.

Como escreve o obituário do The Guardian, “ninguém escreveu com tanta confiança e paixão sobre aquilo que os americanos chamam ‘liberalismo’ e Hitchens (achando ‘liberal’ demasiado ‘evasivo’) chamou ‘socialismo’”. Peter Wilby, que assina o artigo, diz também que os seus alvos eram os que abusavam do poder: à cabeça Henry Kissinger, que quis levar a julgamento pelo seu papel no bombardeamento do Cambodja.

Para a Vanity Fair escrevia desde 1992 mas ao longo da sua carreira foram várias as publicações para as quais o britânico trabalhou, como o New Statesman, London Evening Standard, London's Daily Express, The Nation, Harper's, The Spectator, The Times Literary Supplement, New York Newsday, The Atlantic e a revista Slate.

Christopher Hitchens nasceu em Inglaterra em 1949 mas vive nos EUA desde os anos 1980. Licenciado em Oxford,começou a sua carreira como jornalista na década de 70, ainda no Reino Unido, era hoje considerado um dos intelectuais mais controversos e influentes.

Além da sua antologia sobre o ateísmo, Hitchens é também autor de "Deus não é bom", "Cartas a um jovem dissidente", "A vitória de Orwell", "Amor, beleza e guerra" e "O julgamento de Henry Kissinger".

Notícia actualizada às 11h35
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