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Benfica vence derby electrizante, mas Sporting sai dignificado

Javi García marcou o único golo do jogo
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Javi García marcou o único golo do jogo Marcos Borga/Reuters

Foi Aimar quem acabou por fazer a diferença e, claro, Javi García, que marcou o golo solitário do primeiro derby lisboeta da temporada (1-0). Mas não escandalizaria a ninguém um empate ou até uma vitória do Sporting no clássico. Acima de tudo, foi um grande espectáculo, intenso, duro q.b., recheado de oportunidades, com duas equipas destemidas em campo. No final, nem os adeptos leoninos nas bancadas pareceram desiludidos com o desaire e brindaram os jogadores com um estrondoso aplauso. Na contabilidade da Liga, os “encarnados” isolaram-se à condição no comando da Liga.

No Benfica, as grandes novidades para o derby acabaram por ser a chamada de Jardel (e não de Miguel Vítor) para render o lesionado Luisão no eixo da defesa, ao lado de Garay, e o regresso de Cardozo no ataque, que remeteu para o banco o jovem promissor Rodrigo. De resto, a equipa esperada, sem alterações no habitual sistema de jogo.

Já no Sporting, Domingos surpreendeu (ou nem tanto) adaptando o central Daniel Carriço ao meio-campo defensivo, para dar mais músculo à defesa leonina, face à ausência por lesão de Rinaudo e à pálida exibição de André Santos no último jogo. A segurança impôs-se à mobilidade na equipa leonina. Esta foi, de resto, a única alteração em relação ao “onze” que eliminou o Sp. Braga da Taça de Portugal, em Alvalade, (2-0), na última semana.

Os dados estavam lançados para um clássico com um grande ambiente num Estádio da Luz repleto. E os artistas no palco não desiludiram a majestosa assistência, protagonizando uma primeira parte electrizante, com as duas equipas a jogarem olhos-nos-olhos, mas com respeito mútuo. Começaram melhor os “leões, imprimindo um ritmo veloz que, logo aos 6’, quase surpreendia a equipa da casa, num cruzamento perfeito de Capel a ser mal aproveitado por Wolfswinkel que cabeceou ao lado.

A pressionar alto, os homens de Alvalade nunca acusaram o ambiente da Luz, apostando principalmente pelo seu lado canhoto para deixar em sentido o Benfica. A velocidade de Capel criou inúmeras dificuldades a Maxi Pereira, que raramente se aventurava pelo seu corredor.

O Benfica respondeu também cedo e com uma das suas armas mais temíveis: as bolas paradas. Na primeira, um canto de Aimar deixou a bola à entrada da área para um grande remate do “esquecido” Gaitán à base do poste direito de Rui Patrício, aos 12’. Na segunda tentativa, o genial argentino voltou a aprimorar-se na cobrança de um novo canto que, desta vez, resultou em golo, aos 42’, com Javi García a elevar-se na área e a bater a defesa sportinguista. Um lance que deixou mal na fotografia o médio Schaars, batido pelo espanhol.

Pelo meio destes dois lances, o Sporting (onde alinharam os únicos três portugueses do derby) nunca deixou de procurar a baliza adversária. A perdida mais flagrante seria protagonizada por Schaars, que, solicitado por Wolfswinkel, aos 15’ não acertou com o alvo.

O golo em cima do intervalo trouxe um Benfica ainda mais motivado para a segunda metade. Logo aos 51’, poderia ter dilatado a vantagem, depois de uma falha clamorosa de Onyewu. O central colocou a bola ao alcance de Aimar, com o argentino a passar para Cardozo e o paraguaio, depois de deixar no chão dois adversários, a rematar para grande defesa de Rui Patrício. A esta grande intervenção respondeu, no outro extremo do campo, Artur, que impediu um golo de Elias (após grande cruzamento de Carrillo, chamado aos 24’ para render o lesionado Matías).

A partida ganhou um novo dramatismo, aos 63’, com a expulsão de Cardozo por acumulação de amarelos. Dois minutos volvidos, Elias garantiu o prémio de maior perdulário da noite, ao voltar a falhar isolado o golo do empate, desta vez a cruzamento de Wolfswinkel. Com a partida a persistir num ritmo incontrolável, os treinadores jogaram as definitivas opções tácticas. Aimar e Bruno César cederam os lugares a Rodrigo e Ruben Amorim, no Benfica, respondendo o Sporting com a entrada de André Santos para o lugar do amarelado Carriço.

A jogar com menos um, o Benfica redobrou as cautelas defensivas, mas voltou a ameaçar com a sua arma de eleição: num novo canto, desta vez de Gaitán, o argentino cobrou directo, levando a bola à barra, aos 79’. Os “leões”, a correrem contra o cronómetro e a jogarem em vantagem numérica, começaram a jogar mais com o coração. A grande pressão nos instantes finais não chegou para o empate, mas a equipa saiu da Luz de cabeça bem erguida.

POSITIVO
Derby

Uma grande partida que não desiludiu ninguém. Disputada intensamente do primeiro ao último minuto, com ambas as equipas a darem tudo em campo.


Aimar

Foi a grande figura da partida e a vitória do Benfica acabou por ser desenhada por si. Tal como e frente ao Manchester United, voltou a assinar uma grande exibição.


Capel

O esquerdino espanhol foi o maior desequilibrador do lado leonino, em particular na primeira metade. E travou com Maxi Pereira um dos duelos mais interessantes do jogo.


NEGATIVOLasers

Várias canetas laser foram dirigidas ao longo da partida aos rostos dos jogadores do Sporting durante lances de perigo na área leonina. Um comportamento lamentável de alguns adeptos.


Ficha de jogo

Benfica 1
Sporting 0

Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa. 
Assistência 63.146 espectadores.

Benfica

Artur, Maxi Pereira, Jardel, Garay, Emerson, Javi García, Witsel, Gaitán (Nolito, 86’), Bruno César (Ruben Amorim, 68’), Aimar (Rodrigo, 65’) e Cardozo.Treinador Jorge Jesus.

Sporting

Rui Patrício, João Pereira, Onyewu, Polga, Insúa (Bojinov, 80’), Carriço (André Santos, 65’), Schaars, Elias, Matias Fernández (Carrillo, 26’), Capel e Wolfswinkel. Treinador Domingos Paciência.Árbitro João Capela, de Lisboa. 
Amarelos Elias (2’), Carriço (20’), Aimar (45+1’), Wolfswinkel (48’), Cardozo (48’ e 63’), Carrillo (80’), A. Santos (84’) e Schaars (87’). Vermelho Cardozo (63’).


Golo

1-0, por Javi García, aos 42’.


Notícia actualizada às 22h46
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