Crise do euro

França e Alemanha vão propor alterações aos tratados sobre governação económica

Sarkozy recebeu hoje Angela Merkel para uma reunião onde participou também Mario Monti
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Sarkozy recebeu hoje Angela Merkel para uma reunião onde participou também Mario Monti Reuters/Philippe Wojaze

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, declarou hoje que Paris e Berlim vão apresentar “nos próximos dias” propostas comuns de alteração dos tratados na Europa para melhorar a governação da zona euro

As declarações de Sarkozy surgem na sequência de um encontro que reuniu o governante francês, a chanceler alemã Angela Merkel e o novo primeiro-ministro italiano, Mario Monti, em Estrasburgo.

Escusando-se a avançar desde já o teor dessas propostas, o presidente francês indicou todavia que as mesmas estarão finalizadas a tempo de serem apresentadas aos restantes parceiros europeus na próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo, que terá lugar em Bruxelas dentro de duas semanas, a 9 de Dezembro. Nessa altura deverão ser conhecidos mais detalhes, e o que isso implicará ao nível das alterações no Tratado de Lisboa.

“Estamos conscientes da gravidade da situação e procuramos os mesmos remédios”, declarou o presidente francês.

Por seu turno, Merkel confirmou que Paris e Berlim já estão “a trabalhar as propostas de modificações” aos Tratados. "Precisamos de dar passos no sentido de uma união orçamenta", afirmou a chanceler, citada pelo Financial Times. As modificações a efectuar, precisou, “não terão nada a haver com o Banco Central Europeu”, sublinhando que esta instituição é responsável pela política monetária, e não orçamental.

Sobre a criação de obrigações europeias, Merkel voltou a defender que esta não é uma boa solução, afirmando que os títulos de dívida comuns levariam os países europeus ao mesmo ponto em que estavam antes da crise.

Nicolas Sarkozy também apontou que os três líderes europeus reunidos hoje em Estrasburgo concordaram que, “no respeito pela independência dessa instituição”, o melhor é não fazer “pedidos positivos ou negativos” ao Banco Central Europeu. Uma posição muito mais suavizada, tendo em conta que o governo francês tem mantido pressão sobre a Alemanha no sentido de facilitar uma maior intervenção do Banco Central Europeu (BCE) de forma a estancar a fuga de investidores do mercado de obrigações dos países da zona euro.

Alemanha e França, frisou Sarkozy, citado pelo Financial Times, "não têm o mesmo histórico" em relação ao que deve ser o papel do BCE, mas estão a "convergir" nas suas posições. Depois de se perceber que não havia um acordo para dar mais poderes ao BCE, nota o Financial Times, o euro caiu face ao dólar, passando de 1,338 para 1,332 dólares.

Já Mario Monti deixou, por seu lado, a garantia de que a Itália tudo fará para regressar ao reequilíbrio orçamental já em 2013. Os três líderes reafirmaram ainda o seu empenho em tudo fazer para estabilizar a zona euro e salvar a moeda única. “Nós queremos o euro, queremos um euro forte e estável. Vamos fazer tudo para o defender”, asseverou a chanceler alemã

O encontro entre os três principais líderes dos países do euro, como destacou a Bloomberg, marca uma viragem face ao antecessor de Monti, Silvio Berlusconi, que raramente era convidado para encontros com Merkel e Sarkozy.

Notícia actualizada às 16h10