O consumo de cannabis é principalmente masculino Manuel Roberto/arquivo
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O consumo de cannabis é principalmente masculino Manuel Roberto/arquivo

Consumo de tabaco e de cannabis desceu entre os jovens europeus

Estabilização ou diminuição do consumo de cannabis na UE é uma conclusão do relatório do Observatório Europeu das Drogas

A diminuição do consumo de tabaco entre os jovens poderá estar na origem de alterações dos padrões de consumo da cannabis na União Europeia (UE).

A comparação entre dois inquéritos escolares, realizados em 2003 e 2007 em 23 países da UE, revelou uma descida do consumo de tabaco (de 33% para 28%) e do consumo de cannabis (de 9% para 7%) entre aquela população mais jovem.

Segundo este inquérito, citado no relatório anual do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (OEDT), apresentado esta terça-feira em Lisboa, a prevalência mais elevada do seu consumo encontra-se na República Checa e a mais baixa na Suécia e na Noruega.

Diminuição do consumo de tabaco

Os peritos consideram que, “na Europa, onde a cannabis e o tabaco são geralmente misturados para serem fumados, a diminuição do consumo de tabaco pode exercer alguma influência nas tendências relativas à cannabis”.

Donde, acrescenta esta agência europeia, com sede em Lisboa, a tendência actual aponta para uma estabilização, ou mesmo para uma redução, do consumo de cannabis na Europa entre os jovens adultos com idades entre os 15 e os 34 anos.

Esta eventual regressão dos níveis de utilização da cannabis que, mesmo assim, continua a ser a substância ilícita mais consumida na UE, é igualmente visível em jovens de 15 e de 16 anos.

Além do possível efeito causado pela diminuição do uso do tabaco, o OEDT acrescenta outras explicações plausíveis para explicar a tendência decrescente do consumo desta droga leve: novos estilos de vida, questões de moda, substituição por outras substâncias ou novas atitudes face à droga.

"Alto risco"?

O relatório cita outro inquérito, um Eurobarómetro, publicado pela Comissão Europeia em Julho passado, segundo o qual 67% por cento dos inquiridos, com idades entre os 15 e os 24 anos, classifica o seu consumo regular como sendo de “alto risco” para a saúde.

Ansiedade, ataques de pânico ou sintomas psicóticos são geralmente atribuídos ao seu consumo mais frequente. É, contudo, indiscutível que os riscos inerentes ao seu consumo não assumem a gravidade dos riscos associados ao consumo de drogas como a heroína ou a cocaína.

Os peritos do OEDT afirmam, com base nos dados fornecidos pelos 27 países membros da UE, pelos países candidatos a membros, Croácia e Turquia, e pela Noruega, que o consumo de cannabis está “largamente concentrado” na população jovem, dos 15 aos 34 anos, mas com forte prevalência nos jovens dos 15 aos 24 anos.

Os dados dos inquéritos à população refere que, em média, 32% dos jovens adultos entre os 15 e os 34 anos já consumiram cannabis. O consumo desta substância mantém-se, principalmente, masculino.