Manifestação em Washington Square Reuters/Jessica Rinaldi
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Manifestação em Washington Square Reuters/Jessica Rinaldi

Occupy Wall Street entra na quarta semana e não vai parar

O movimento também toma conta do Facebook e do Twitter, numa auto-organização virtual sem líderes.

O movimento Occupy Wall Street, que começou em Nova Iorque, entrou neste domingo na sua quarta semana de vida e não esmorece. Ao mesmo tempo que a revolta contra o capitalismo alastra a pelo menos 64 cidades norte-americanas, o movimento também toma conta do Facebook, do Twitter, numa auto-organização virtual sem líderes.

Na Europa, os indignados continuam acampados na capital da Bélgica. Os manifestantes ficaram 12 horas na cadeia por se manterem após as 22h no parque Elisabeth. “Voltaram todos, sem consequências penais, judiciais ou económicas”, disse uma das responsáveis da coordenação internacional do movimento, citada pelo "El País".

A Primavera Árabe pode ser vista como o começo da bola de neve que levou ao surgimento do movimento 15-M na Espanha, que luta contra a corrupção governamental e a política económica Europeia. A manifestação de 15 de Maio, que aconteceu depois da mega-manifestação de 12 de Março em várias cidades portuguesas, foi seguida de perto em Nova Iorque.


Neste sábado à tarde, e uma semana depois dos incidentes na ponte, mil pessoas manifestaram-se até Washington Square Park, em Nova Iorque, seguidos por um forte dispositivo policial. O grupo seguiu pelos passeios das ruas evitando as estradas para que os polícias não prendessem ninguém. 

Os manifestantes gritavam: “Nós somos os 99 por cento”, reportava neste sábado o "New York Times". A expressão refere-se aos 99% da população norte-americana versus os 1% que detêm uma fatia de 40 por cento da riqueza do país, e contra o qual os protestos vão ganhando uma voz cada vez maior. 

“Este sábado está a ser interessante porque agora existem dois parques com protestos”, disse ao jornal norte-americano Max Fox, de 23 anos, editor do "The New Inquiry", uma revista online. “Mostra que podemos estar parcialmente divididos e ainda termos uma presença significativa em duas partes da cidade.” Até agora, os protestos eram tinham sido centralizados na baixa de Manhattan. 

Mas o presidente da câmara de Nova Iorque, Michael Bloomberg, explicitou o seu descontentamento no seu programa de rádio semanal. “O que eles estão a tentar fazer é tirar os postos de trabalho na cidade”, citava neste sábado o jornal inglês "The Guardian".  

“Se os postos de trabalho que eles estão a tentar livrar-se – as pessoas que trabalham nas finanças, o que é grande parte da nossa economia – desaparecerem, vamos ficar sem dinheiro para pagar aos nossos trabalhadores municipais, limpar os nossos parques ou qualquer outra coisas”, disse, acrescentando que simpatizava com alguns dos manifestantes. “Existem algumas pessoas com queixas legítimas”, sublinhou.

"Boom" virtual

Muitos políticos e até o Presidente Barack Obama têm manifestado este tipo de compreensão, numa altura que os protestos estão disseminados por todo o país. Neste sábado, em Washington DC, a manifestação não foi tão serena quanto em Nova Iorque. 

Cerca de 200 pessoas tentaram entrar no Museu Smithsonian do Ar e Espaço, explicou o jornal Washington Post. Segundo um dos participantes, a ocupação foi planeada pelo grupo Outubro 2011, apesar de alguns dos manifestantes terem vindo da praça McPherson, que desde a semana passada está a ser ocupada pelo grupo Occupy DC, uma continuação do movimento de Nova Iorque.  

Apesar de os grupos serem diferentes, os interesses eram comuns. O protesto era mais uma vez contra as corporações, a destruição ambiental e o militarismo da América, e foi por isso que tentaram entrar no museu, que contava com uma nova exposição de aviões não tripulados.  

Rapidamente, os responsáveis do Museu chamaram as autoridades. E os seguranças lançaram gás pimenta que acertou pelo menos em um dos protestantes. Mas segundo as autoridades de saúde, não houve feridos graves. 

Um longo artigo do New York Times deste sábado mostra qual é o contexto virtual de onde estes acontecimentos surgem. A página do Facebook do Occupy Wall Street tinha, segundo o artigo, 138.000 membros. Neste domingo já conta com 155.000. Mais 200 páginas Occupy foram criadas no facebook: Tenesse, Menfis, Knoxville, Clarksville, Chicago, Filadélfia, Boston, Dallas, Seatle, etc. 

A comunicação na Internet estende-se ao Twitter e a diversas páginas onde são decididas reuniões, manifestações, onde se discute política mas onde também se ouve desabafos. “Não quero ser rica. Não quero ter um estilo de vida abastado”, escreveu uma mulher no Tumblr, citada pelo "New York Times". “Estou preocupada. Assustada, pensar no futuro abala-me. Espero que isto resulte. Espero mesmo que isto resulte”, disse a estudante da faculdade, numa altura em que o desemprego atinge os nove por cento nos EUA, e que muitos desempregados são jovens formados. 

“A discussão sobre isto tem um batimento cardíaco forte que está a espalhar-se. Estamos a ver o diálogo nacional a transformar-se em bolsas de conversas locais baseadas em tópicos”, disse ao New York Times. O jornal norte-americano refere ainda que no Egipto, a página do Facebook que ajudou a organizar as manifestações tinha na altura 400.000 membros e tinha sido fundada dez meses antes. 

Na sexta-feira, a cada hora, 10.000 ou 15.000 twiters eram sobre o Occupy Wall Street.