Um Sporting perdido no nevoeiro

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O Sporting voltou a desiludir na Madeira Duarte Sá/Reuters

O Sporting é aquele desenho animado com uma nuvem negra a pairar sobre a sua cabeça em permanência, a quem tudo acontece. Tem sido assim a época toda, mas nada é coincidência – talvez as bolas ao poste possam ser consideradas azar. Mas não justificam tudo. E, este domingo, houve mais um exemplo de descoordenação, descrença, ou, simplesmente, falta de qualidade. Como uma equipa que está a fazer a pré-época, ainda à procura de uma identidade, incompleta. Só que a época já está quase no fim...

Alberto Cabral, adjunto do demitido Paulo Sérgio, tinha a sua oportunidade para brilhar antes de entregar a equipa a José Couceiro e até pareceu ousado ao abdicar de alguns dos contestados (Maniche, Polga) e recuperar Vukcevic para a equipa. Só que o Sporting foi igual a si próprio e entregou o jogo ao Nacional, que até nem se podia dizer que fosse demasiado defensivo. Era apenas uma questão de aproveitar as (muitas) fraquezas do adversário. Bola rápida na frente, avançados em cima dos defesas e o nervosismo sportinguista fazia o resto.

A formação madeirense era veloz e objectiva, via melhor que o Sporting num jogo embaciado pelo nevoeiro que levou algum tempo a arrancar. Minuto 19, Diego Barcellos arranca pela esquerda, mete a bola em Mateus e o avançado angolano, em posição irregular, antecipa-se a Rui Patrício e faz o golo. O lance é ilegal, mas foi um atestado de incompetência aos centrais Carriço e Torsiglieri, lentos, sem reacção – foi assim durante todo o jogo.

Nem de penálti o Sporting lá foi. Aos 36’, a falta foi clara de João Aurélio sobre Postiga, mas o avançado sportinguista fez a paradinha, denunciou o remate e Bracalli defendeu. Foi o mais perto que o Sporting esteve do golo na primeira parte, enquanto o Nacional ia gerindo bem a vantagem. E até se podia queixar da arbitragem, com Carlos Xistra a não ver um penálti de Torsiglieri sobre Mateus mesmo no final da primeira parte. Jokanovic, técnico dos madeirenses, enfureceu-se, saltou para o campo e acabou expulso.

Segunda parte, mais do mesmo. Nacional tranquilo no jogo, Sporting em sofrimento. Mesmo quando os madeirenses ficaram com dez, por expulsão de João Aurélio por mão na bola, o Sporting não marcou. Até teve mais bola, rematou mais e voltou a ter uma bola no poste e a enfrentar um super-guarda-redes na baliza do Nacional. Mas a nuvem negra não desapareceu. Continua bem carregada.

POSITIVOMateus

Foi uma fonte de problemas permanente para a defesa do Sporting. Marcou um golo, sofreu um penálti não assinalado e esteve bem perto de marcar o segundo.


Bracalli

O guarda-redes do Nacional foi intransponível. Defendeu um penálti e manteve-se seguro na fase em que o Sporting esteve mais perto da sua baliza.


NEGATIVODefesa do Sporting

Mais uma vez, comprometeu. Mateus até pode estar adiantado no lance do golo, mas tal não disfarça a passividade da defesa “leonina”, em especial dos centrais. E o Sporting podia ter sofrido até mais golos.


Ficha de jogo

Jogo no Estádio da Madeira, na Choupana.


Assistência Cerca de 3500 espectadores.


Nacional

Bracalli 7, Patacas 6, Felipe Lopes 6, Danielson 6, João Aurélio 5, Luís Alberto 6, Bruno Amaro 7, Skolnik 6 (Tomasevic 5, 65’), Edgar Costa - (Anselmo 6, 26’, Todorovic 5, 65’), Mateus 7 e Diego Barcellos 7. Treinador Predrag Jokanovic.

Sporting

Rui Patrício 6, João Pereira 6, Carriço 4, Torsiglieri 4, Evaldo 5 (Maniche 5, 68’), André Santos 6, Zapater 5 (Saleiro 5, 58’), Matías Fernandez 6, Vukcevic 6, Hélder Postiga 6 e Yannick 5. Treinador Alberto Cabral.

Árbitro

Carlos Xistra 4, de Castelo Branco.

Amarelos

João Aurélio (35’ e 62’), Torsiglieri (46’), Luís Alberto (56’), Bracalli (63’), Bruno Amaro (71’) e Diego Barcellos (90’+1’).

Vermelho

João Aurélio (62’). O treinador do Nacional, Predrag Jokanovic, foi expulso, aos 43’.

Golo

1-0, por Mateus, aos 19’.

Notícia actualizada às 23h09