Paulo Bento fez o trabalho de Mourinho na perfeição

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Ronaldo festeja o primeiro golo da noite Foto: Ingolfur Juliusson/Reuters

Era das alturas que vinha a grande ameaça da Islândia. Todos estavam avisados. Os islandeses parecem filhos da montanha de 914 metros que abraça a capital, muito popular, principalmente no Inverno quando está vestida de branco. O monte Esja parece transmitir uma calma estranha a esta selecção medíocre que teima em bater o pé às equipas mais bem cotadas no ranking – perdeu pela margem mínima frente à líder do grupo, a Noruega (1-2).

Má a defender, a Islândia causa perigo a atacar (em cantos e livres à entrada da área de Portugal) quando utiliza a sua forte estatura. Mas os avisos serviram de pouco aos portugueses, que entraram em campo precisamente com a mesma equipa e disposição com que enfrentaram e ganharam à Dinamarca, no Dragão. O golo islandês deixou dúvidas, mas não o momento de Eduardo: sofreu golos nos quatro jogos disputados até aqui (sete golos).

Um empate seria tão grave como uma derrota e ambos os seleccionadores o sabiam. Olafur Johannesson chegou mesmo a dizer que um empate seria “muito, muito bom”. Bento não o disse, mas sabia que para ele seria muito, muito mau. Mas o empate só durou 13 minutos (Portugal marcou aos 3 minutos e demorou dez a responder ao golo de Helguson).

Bento não inventou, mas Johannesson teve de inventar. O português disse que o seu trabalho era no plano mais teórico para esta dupla jornada. O islandês ficou sem sete jogadores porque a federação decidiu desviá-los para os sub-21, para o decisivo encontro de qualificação para o Europeu que a Islândia alcançou pela primeira vez na história. Assim, o técnico chamou um dos veteranos: Eidur Gudjohnsen. Há muito afastado da selecção, foi titular. Mas o avançado está longe de forma e dos tempos que o tornaram o atleta mais conhecido do país – tão famoso que um dia Mourinho deu o nome de Gudjohnsen ao vulcão com o nome mais impronunciável do mundo, mas o jogador está tão apagado quanto o Eyjafjallajokull.

Com as armas apresentadas, Portugal entrou no jogo a ganhar. Pela mas temível de todas. Johannesson tinha dito que a única maneira de travar Cristiano Ronaldo era não o deixar entrar no país e tinha razão – o seu livre foi um míssil que nem as mãos frias de Gunnleifsson conseguiriam parar. Ainda mal refeito, o guarda-redes veria Meireles, com uma bomba de meia distância, fazer o mesmo aos 27’.

E se nestas duas ocasiões pouco poderia fazer, no terceiro golo deu uma ajuda preciosa. Já com Postiga em campo – Hugo Almeida foi lutador mas voltou a falhar na zona decisiva, quando ficou isolado aos 19 minutos – o último golo do jogo foi o lance mais fácil para o sportinguista, que no minuto anterior havia falhado também no frente a frente com o guarda-redes. Foi precisamente Postiga a fechar a noite (antes, Meireles tinha atirado à trave num lance delicioso) e a fazer descansar o coração de José Moreira, que só largou a máquina fotográfica quando o último jogador português desapareceu no túnel de acesso aos balneários.

Ficha de jogo

Islândia, 1


Portugal, 3


Jogo no Estádio Laugardalsvollur, na Islândia. Assistência
10.000 espectadores

Islândia

Gunnleifsson 4, Steinsson 4, Ragnar Sigurdsson 5, Kristján Sigurdsson 5, Indridi Sigurdsson 4 (Adalsteinsson -, 85’), Danielsson 5, Saevarsson 5 (Gunnarsson -, 85’), Skúlason 4, Gudjohnsen 3, Helguson 11 e Bjarnason 5 (Porvaldsson 5, 68’).

Portugal

Eduardo 4, João Pereira 6, Pepe 5, Ricardo Carvalho 5, Fábio Coentrão 6, Raul Meireles 8, Carlos Martins 5 (Tiago -, 76’), João Moutinho 7, Nani 6 (Danny -, 87’), Cristiano Ronaldo 7 e Hugo Almeida 5 (Hélder Postiga 6, 65’).

Árbitro

Thomas Einwaller 6, da Áustria.

Amarelos

Skúlason (36’), Gudjohnsen (79’) e Tiago (79’).

Golos

0-1, por Cristiano Ronaldo, aos 3’; 1-1, por Helguson, aos 17’; 1-2, por Raul Meireles, aos 27’ e 1-3, por Hélder Postiga, aos 72’.

Notícia actualizada às 23h37