Ciclismo

Pela primeira vez há uma selecção nacional na Volta a Portugal

A Volta volta a passar por Lisboa. Desta vez acaba na capital
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A Volta volta a passar por Lisboa. Desta vez acaba na capital Foto: EnricVives-Rubio

A 72.ª Volta a Portugal em bicicleta ficará marcada na história da prova portuguesa por ser aquela que recebeu, pela primeira vez, a selecção nacional de ciclismo.

Com um pelotão reduzido a cinco equipas devido à crise económica e aos problemas de doping que levaram à extinção da LA-MSS, em 2008, e da Liberty Seguros, em 2009, a selecção nacional apareceu como uma solução para os problemas da organização da prova, que assim pode contar com seis emblemas portugueses, número mínimo dos anos anteriores.

No entanto, não é a primeira vez que uma selecção participa na maior prova velocipédica portuguesa: em 1985, não competiu um conjunto nacional único, mas sim três regionais.

Há 25 anos, a selecção do norte, a selecção do centro e a selecção do sul rivalizaram com equipas como o Sporting ou o Vitória de Guimarães, sem sucesso, já que saíram da 47.ª Volta a Portugal em bicicleta sem qualquer vitória.

José Santiago, representante nortenho, foi a principal figura das selecções regionais, em 1985, ao sagrar-se “rei” da montanha e terminar em nono da classificação geral.

A estreia das equipas regionais na prova rainha do calendário nacional aconteceu nove anos antes, em 1976, quando a selecção da Madeira foi uma das 18 equipas participantes.

Hugo Sancho (Mortágua-Basi), Rui Vinhas e Hélder Leal (Aluvia-Valongo), Edgar Anselmo (Cartaxo Capital do Vinho-CC José Maria Nicolau), Marco Coelho e Joni Brandão (Liberty Seguros-SM Feira), Vasco Pereira (ASC-Vitória-RTL), João Mendonça Pereira (Palmeiras Resort-Tavira) e Fábio Palma (Maia-Bike Team) são os nove eleitos de José Poeira que terão a honra da estreia.

Sem aspirações à geral, a selecção nacional vai tentar contrariar a tendência das suas antecessoras, que nunca ganharam uma etapa.

Uma mudança de mentalidades para uma nova imagem do pelotão

Depois de uma edição marcada pelos casos de doping, a 72.ª Volta a Portugal em bicicleta arranca na quarta-feira com a necessidade de regenerar a imagem do ciclismo, algo que, de acordo com Joaquim Gomes, já está em marcha.

Foram precisos apenas 16 meses e dois escândalos de doping para o pelotão nacional ficar órfão das suas principais formações, a LA-MSS e a Liberty Seguros, pouco depois de assistir ao desaparecimento do Benfica, que abandonou a modalidade.

Com apenas cinco equipas, haverá um futuro mais risonho para o pelotão nacional? Joaquim Gomes acredita que sim: “Hoje as pessoas estão muito mais interessadas em cultivar-se ao nível das tácticas de corrida e, no fundo, de tudo aquilo que podem fazer, sem correr riscos e antecipar o final da carreira, para obter resultados de forma duradoura, sem prejudicar o nome daqueles que lhes permitem exercer a sua actividade, que são os patrocinadores”.

O director da Volta a Portugal, que admitiu à Lusa que, salvo raras excepções, “os patrocinadores, na sua grande maioria, fazem um investimento num evento como a Volta a Portugal mais considerando os níveis de retorno que proporciona do que estas questões polémicas, como o doping”, começa a detectar uma mudança de mentalidades no pelotão.

O doping deixou de ser um aliado para se tornar em inimigo combatido por todos, desde praticantes a directores desportivos, porque “os prevaricadores não são olhados com bons modos por parte dos companheiros de estrada”.

O mérito da mudança, para o duas vezes vencedor da Volta a Portugal, pertence aos amantes do ciclismo: “A única coisa que me dá esperança é que o público nunca regateou a sua presença. Há um grande respeito por esta modalidade que mantém intactas todas as premissas que conduziram a que, durante dezenas e dezenas de anos, os mais jovens seguissem a modalidade”.

Joaquim Gomes tem a noção de que “o evento em si e o estatuto que adquiriu ao longo de mais de oitenta anos de história” permitem resistir às adversidades e que, por isso, a edição deste ano nunca esteve em risco, apesar da frustração que significou o controlo positivo e a consequente desclassificação de Nuno Ribeiro no ano passado.

Em vésperas do arranque da 72.ª Volta a Portugal, que se realiza entre 4 e 15 de Agosto, não há espaço para outra certeza que não a de que, este ano, não poderá haver nenhum caso positivo, sob pena de a imagem do ciclismo ficar irremediavelmente abalada. “Vamos tentar tudo por tudo para que não volte a haver qualquer tipo de problema e que o doping não venha mais uma vez denegrir a modalidade”, algo que de acordo com o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo será possível devido ao esforço que “toda a modalidade faz”.

O futuro não preocupa Artur Lopes, que acredita que “a popularidade do ciclismo se vai confirmar nesta Volta a Portugal, de novo com a adesão popular em massa”.

“Lutamos afincadamente contra o doping”, garante, manifestando a convicção de que confiando que o ciclismo vai tornar-se um “exemplo” para conseguir desassociar-se da imagem negativa que os casos mais recentes lhe conferiram.