Ausência de Cavaco no funeral não merece críticas

Pilar del Río requereu nacionalidade portuguesa

Pilar del Rio na leitura de homenagem a Saramago a 25 de Junho
Foto
Pilar del Rio na leitura de homenagem a Saramago a 25 de Junho Raquel Esperança

A viúva do único Nobel de Literatura português, a espanhola Pilar del Río, solicitou a nacionalidade portuguesa. Pilar del Rio confirmou ao PÚBLICO a sua iniciativa e explicou porquê. “Fi-lo para continuar o meu marido, porque o meu corpo mo pedia”, disse. A espanhola anunciou ontem em entrevista ao jornal “O Globo” a sua intenção, poucos dias antes de uma homenagem ao escritor português na Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP), a 7 de Agosto.

Pilar del Rio garantiu que não pediu a nacionalidade portuguesa por causa da Fundação José Saramago. “Poderia continuar com a fundação mesmo sendo espanhola”, disse ao PÚBLICO. Ao jornal “O Globo”, a jornalista justificara o pedido com a intenção de “pertencer ao país que produziu um homem tão bom, tão sábio, tão simples, tão exemplar”.
A viúva e tradutora dos romances de Saramago aceitou também comentar a ausência do Presidente Cavaco Silva durante as cerimónias fúnebres do escritor. A espanhola considerou que tudo foi feito como devia”, devido ao relacionamento distante entre ambos. Considerou que a presença do chefe de Estado seria pior. “O embaixador português esteve em nossa casa, a presidência esteve representada [no funeral]. Foi tudo feito como devia”, rematou. Na entrevista ao jornal brasileiro, a espanhola esclareceu que “mais do que isso teria sido uma farsa indigna do momento”.

A decisão de Pilar del Río, que já encetou o processo burocrático do pedido de cidadania, é conhecida poucos dias depois de ter sido tornada pública uma alegada dívida de José Saramago ao fisco espanhol. Em de Abril, um tribunal condenou o escritor a pagar os seus impostos em Espanha e não em Portugal, por entender que a sua residência fiscal se encontrava naquele país. Em causa está o pagamento de 717.651 euros ao fisco espanhol, referentes aos anos de 1997, 1998, 1999 e 2000, em que o escritor pagou os seus impostos em Portugal. Em 2008, o Tribunal Económico Administrativo Central espanhol entendeu que o escritor vivia permanentemente em Espanha (em Tías, Lanzarote) e que aí devia responder perante o fisco. É desde então que se arrasta este processo.