Morreu o actor Dennis Hopper

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Dennis Hopper Mario Anzuoni/arquivo

Hopper morreu ao início da tarde na sua casa em Los Angeles, rodeado de familiares e amigos, contou à Reuters o amigo do actor, Alex Hitz. Ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, o actor contracenou com James Dean em "Rebeldes sem Causa" e participou em clássicos da sétima arte como "Apocalypse Now" ou "Blue Velvet".

Foi nomeado duas vezes para um Oscar mas "Easy Rider", de 1969, será o seu contributo mais notável para a história do cinema norte-americano. Aí contracenou com Peter Fonda e os dois interpretaram uma dupla de motards. Este desempenho, inspirado e resultante da "geração Woodstock", acabou por ganhar o prémio destinado às primeiras obras no Festival de Cannes.

Após uma época conturbada nos anos 70, marcada pelo consumo de álcool e droga, Hopper regressa ao grande ecrã com "Blue Velvet" de David Lynch, onde desempenhou o papel de um alcoólico que lhe valeu a nomeação para o Oscar de melhor actor secundário.

Apesar de ter manifestado por várias vezes a sua simpatia pelo Partido Republicano, nas últimas presidenciais norte-americanas apoiou a candidatura de Barack Obama. No final de Março de 2010 viu ser colocada a sua estrela no Passeio da Fama de Hollywood. Apareceu então, pela última vez em público, acompanhado dos actores Viggo Mortensen e Jack Nicholson. Já estava doente e agradeceu a homenagem. "Esta estrela significa muito para mim. Obrigado a todos".

Em Janeiro Hopper passou por um conturbado processo de divórcio da sua quinta mulher, Victoria Duffy, após 14 anos de casamento, e em Abril um juiz condenou-o a pagar uma pensão mensal de 12 mil dólares á mulher e à filha de ambos, de sete anos, adiantou a AFP. Ele já não esteve presente na audiência e o seu advogado alegou que estava muito doente.

Nascido no estado norte-americano do Kansas, em 1937, Hopper começou por estudar teatro no Old Globe Theatre em San Diego e mais tarde no Actor Studio, em Nova Iorque. A sua primeira participação numa série de televisão foi em Medic, da NBC. Era então um grande admirador de James Dean. "Tinha 18 anos e pensava que era o melhor actor do mundo até que vi Dean. Nunca tinha visto ninguém a improvisar antes. Nunca tinha visto ninguém que fizesse coisas que não estavam no papel. Fiquei deslumbrado".

Para além do cinema, era também apaixonado por fotografia, pintura e escultura e chegou a expor regularmente os seus trabalhos. Em 2001, recordou a BBC, chegou a dizer numa exposição em Amesterdão que aquele era o momento mais alto da sua vida, ainda mais do que "Easy Rider".