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Weldon, o herói improvável 


Weldon festeja o primeiro golo da partida
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Weldon festeja o primeiro golo da partida José Manuel Ribeiro/Reuters

Se para ser campeão é preciso sofrer, os adeptos do Benfica passaram neste domingo em Coimbra por uma verdadeira provação. Um golo madrugador dos “encarnados” parecia fazer antever um jogo sem história, mas a Académica, sempre bem organizada e acutilante no ataque, ripostou e obrigou o Benfica a jogar até ao último minuto. Weldon voltou a bisar e está a tornar-se no herói improvável da caminhada do Benfica para o título.

Jorge Jesus apresentou uma equipa com várias alterações em relação à última partida com o Sporting. Maxi Pereira voltou a ocupar o lugar de defesa direito mas Ruben Amorim manteve-se na equipa, subindo para o meio campo. Pablo Aimar foi titular e, no ataque, Cardozo jogou mas pareceu sempre debilitado fisicamente. Acabou por ser substituído logo no início da segunda parte.

O Benfica entrou com tudo na partida. Empurrou a Académica para a sua área defensiva e, no primeiro minuto, já tinha conquistado dois cantos. No minuto seguinte, Weldon, isolado na área, inaugurou o marcador com um cabeceamento oportuno. A facilidade com que o golo foi alcançado parece ter surpreendido os próprios jogadores do Benfica. A equipa tirou o pé do acelerador, abdicou de pressionar e a Académica tomou conta do jogo.

Jorge Jesus gesticulava com os jogadores, descontente com a indolência da equipa. O golo da Briosa acabou por acontecer de forma natural: a 15 minutos do intervalo, após um mau alívio da defesa “encarnada”, Diogo Gomes surgiu à entrada da área para rematar de pé esquerdo para o fundo da baliza. Nos minutos seguintes, a Académica continuou a ser a equipa mais dominadora. Mas, à beira do intervalo, e quase de forma imprevista, o Benfica chegaria novamente à vantagem: arrancada de Di María sobre a esquerda, passando por dois adversários, cruzamento para a área e Weldon, ao segundo poste, a rematar de primeira. Foi um duro golpe para a Académica, depois de uma primeira parte de bom nível.

No segundo tempo, Jorge Jesus fez entrar Carlos Martins para o lugar do apagado Cardozo. Aimar subiu no terreno e tornou-se no homem mais próximo de Weldon, o único avançado da equipa. Na Académica entrou Vouho para lugar de João Ribeiro. O jogo ficou mais disputado a meio-campo, mas as jogadas de perigo voltariam a surgir: a Académica quase que empatou num cabeceamento de Éder; do outro lado, Di María apareceu isolado frente a Rui Nereu e atirou de forma displicente.

Quando Ruben Amorim marcou o terceiro golo do Benfica, aos 80’, o jogo parecia estar resolvido. Pura ilusão, porque a Académica nunca desistiu. A dois minutos do fim, um golo do meio da rua de Tiero (Quim parece mal batido) deu uma carga dramática ao encontro. A Académica ainda acreditava no empate, mas o jogo estava no fim. E o Benfica pode festejar o título já na próxima jornada, se vencer o Olhanense e o Braga não ganhar em casa da Naval.

Ficha de jogo

Académica 2
Benfica 3

Jogo no Estádio Cidade de Coimbra.Assistência cerca de 25 mil espectadores.

Académica

Rui Nereu 4, Pedrinho 4, Luiz Nunes 4 (Miguel Fidalgo -, 81’), Berger 5, Emídio Rafael 4, Nuno Coelho 6, Tiero 6, Diogo Gomes 5, Sougou 4, João Ribeiro 4 (Vouho 4, 46’) e Éder 5. Treinador André Villas-Boas

Benfica

Quim 5, Fábio Coentrão 7, Sidnei 4, David Luiz 5, Maxi Pereira 5, Javi Garcia 6, Di Maria 7, Ruben Amorim 7, Aimar 6 (Ramires -, 79’), Weldon 8 (Kardec 5, 68’) e Cardozo 4 (Carlos Martins 5, 56’). Treinador Jorge JesusÁrbitro Carlos Xistra 5, de Castelo Branco. Amarelos Luiz Nunes (15’), Sougou (26’), Ruben Amorim (54’), Berger (73’), Javi Garcia (83’).


Golos

0-1, por Weldon, aos 3’; 1-1, por Diogo Gomes, aos 29’; 1-2, por Weldon, 42; 1-3, Ruben Amorim, 80; 2-3, Tiero, 88.

POSITIVO Weldon

O avançado brasileiro voltou a bisar num jogo do campeonato e está a ser um elemento preponderante do Benfica nesta parte final da competição. Tem limitações técnicas evidentes, mas o sentido de oportunidade e a frieza frente à baliza estão a valer golos decisivos.


Di María

É verdade que falhou um golo de forma escandalosa mas foi através das suas incursões pelo lado esquerdo do ataque que o Benfica lançou o pânico na defesa da Académica. Esteve em dois golos.


NEGATIVODefesa do Benfica

Luisão fez muita falta no jogo de Coimbra, o que demonstra bem a importância que o capitão de equipa tem hoje na defesa do Benfica. David Luiz e Sidnei viram-se gregos para controlar o ataque da Académica, falharam muitos passes e foram displicentes em muitos momentos do jogo.


Notícia actualizada às 22h16