Crítica

Mão Morta

Depois da megalomania "Maldoror", os Mão Morta anunciaram um "back to basics". Fizeram um objecto estranho, que os mostra despersonalizados e em que demasiados temas sofrem de falta de ideias, recorrendo à cartilha de clichés do rock. "Teoria da Conspiração" lembra o punk-industrial vitaminado dos Lard e tem um refrão que podia ser dos Cramps - é um bom momento rock, mas tem pouco de Mão Morta.

Em "Como um Vampiro", Fernando Ribeiro, dos Moonspell, tenta emprestar negrume ao refrão teatral, mas o resultado é dispensável. É nos temas menos acelerados que "Pesadelo de Peluche" oferece algum brilho. Exemplo: a muito "ballardiana" "Metalcarne", com uma linha de baixo quase "electro" e invasões de electrónica. A pérola é deixada para o fim. "Tiago Capitão" é guiada por um piano solene em primeiro plano. Há uma guitarra distorcida a crepitar ao fundo e Adolfo Luxúria Canibal a inventar uma ladainha. Pena que seja um dos poucos momentos em que este é mais do que um disco razoável. O que é pouco para uma banda com muitos momentos brilhantes em 25 anos de carreira.