Liga dos Campeões

Mourinho voltou a ser rei em Stamford Bridge

Mourinho melhor do que Ancelotti
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Mourinho melhor do que Ancelotti Reuters

O treinador cometeu o crime perfeito em Londres, na sua antiga casa. Depois de ter cumprimentado os jogadores do Chelsea um a um, roubou-lhes o sonho da Champions

Antes de os jogadores do Chelsea entrarem para o aquecimento, mesmo na boca do túnel de acesso ao relvado, depararam-se com José Mourinho. O Special One estava de volta a casa e não quis passar despercebido: cumprimentou um a um os atletas que treinou durante os anos de 2004 e 2007. Depois subiu ele ao campo para ser ovacionado de pé pelos adeptos blues, que o receberam com palmas e mensagens de carinho.

Na véspera, Mourinho tinha dito que não festejaria um eventual golo do Inter - mas nada disto impediu a festa do agora Lo Speciale, com sotaque italiano. O golo de Eto"o, a 12 minutos do fim, pressionou uma mola no banco dos italianos e o português só se conteve uns segundos depois. Saiu antes de o árbitro apitar para o fim do jogo (0-1).

A festa foi feita no balneário. "Eu comemorei no vestiário. Esta é uma grande vitória para a minha equipa. Como eu tinha dito antes do jogo, sou profissional. Eu amo o Chelsea, eu amo este estádio, eu amo estas pessoas, mas sou profissional. Quem sabe? No futuro posso estar a treinar outra equipa inglesa e vou voltar aqui como adversário", respondeu.

Desta vez, Mourinho usou como arma principal Samuel Eto"o. Antes, em Stamford Bridge e ao serviço do Chelsea - local onde o técnico só conheceu uma derrota, ante o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho em 2005-06, ficando afastado dos quartos-de-final da Liga dos Campeões -, o treinador habituou-se a depender de Didier Drogba. O costa-marfinense lembra, na sua autobiografia, que foi ele que disse em público que se tivesse que ir para a guerra era Drogba o escolhido para o acompanhar. Agora, nesta nova guerra, Mourinho conta com o camaronês, igualmente letal e que levou o Barcelona à conquista de duas Ligas dos Campeões.

Drogba outra vez expulso

Eto"o marcou um belíssimo golo, após uma assistência magistral de Sneijder, o melhor em campo - foi uma sociedade impossível de acontecer até há um ano, quando o primeiro jogava no Barcelona e o segundo no Real Madrid. Mourinho juntou-os, aos renegados da Catalunha e Madrid, e ganhou. E foi, finalmente, o number one. O Chelsea foi derrotado pela segunda vez no confronto directo, depois do desaire em Milão na primeira mão por 2-1.

Ontem, criou uma equipa de resistentes que acabou com uma série de 22 jogos dos blues sem perder em casa para a principal prova continental de clubes. Eles, que há um ano foram afastados nas meias-finais pelo Barcelona e há dois anos perderam a final da prova nos penáltis para o Manchester United. A noite chuvosa de Moscovo dessa final parece ter-se transferido para a fria Londres de ontem. Em comum? As últimas três campanhas do Chelsea acabaram sempre com Drogba expulso...

Foi esta equipa do Inter que colocou pela primeira vez uma formação italiana nos quartos-de-final da Champions desde a época 2005-06. E é agora a única equipa italiana em prova, depois da eliminação do Milan e da Fiorentina. "Acho que fomos superiores em todos os domínios. Isso não é táctica, é a atitude em campo. O Chelsea mostrou-se frustrado porque sentiu que enfrentou um adversário superior", atirou Mourinho. A mensagem era para Carlo Ancelotti, treinador do Chelsea.

Aos futuros adversários, Mourinho também deixou um recado. "Esta noite vi que podemos vencer qualquer um. Porque o Chelsea não é qualquer um. É um dos melhores. Podemos vencer em qualquer estádio."

A festa foi também dos milhares de adeptos do Inter que foram a Londres, que assistiram em Stamford Bridge ao crime perfeito de Mourinho. Se, na véspera, o português fez questão de entrar pela garagem e ir até aos escritórios do Chelsea cumprimentar todos aqueles que com ele trabalharam, depois fez-lhes a maior maldade de todas.

Sevilha eliminado

No outro jogo desta noite, o Sevilha perdeu em casa por 2-1 com o CSKA, caindo às mãos dos russos. Depois do 1-1 fora, a equipa espanhola viu-se em desvantagem quando Necid (39’) adiantou o CSKA.

Perotti (41’) ainda empatou o jogo e a eliminatória para o Sevilha, antes de um erro do guarda-redes Palop ter permitido a Honda (55’) qualificar o CSKA para os quartos-de-final.

Depois da eliminação do Real Madrid, o Sevilha é mais uma equipa espanhola a ser eliminada – e os adeptos pediram a demissão do treinador Manolo Jiménez. O Barcelona, que amanhã defronta o Estugarda, é a única formação espanhola com hipóteses de seguir em frente.