Audição na comissão de Ética da AR

Presidente da PT garante que sofreu pressões de Morais Sarmento para despedir jornalistas

Granadeiro diz que "o mundo é gerido por interesses, não por escuteiros"
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Granadeiro diz que "o mundo é gerido por interesses, não por escuteiros" João Henriques (arquivo)

O presidente da Portugal Telecom disse hoje que quando desempenhava o cargo de presidente da Lusomundo Media foi pressionado pelo ministro social democrata Morais Sarmento para despedir os jornalistas Leite Pereira, Pedro Tadeu e Joaquim Vieira.

Este caso levou-o a pedir demissão da Lusomundo Media, garantiu aos deputados da comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, onde está a ser ouvido devido ao alegado plano do Governo para controlar a comunicação social, nomeadamente através da compra da TVI pela PT.

Segundo referiu, durante o Governo de Durão Barroso, houve uma intervenção, através do ministro que tutelava a comunicação social - Nuno Morais Sarmento - junto da Lusomundo Media, detentora de títulos como o DN, JN, 24 Horas e TSF.

“Houve um momento que culminou com a imposição para demitir José Leite Pereira (JN), Pedro Tadeu (24 horas) e Joaquim Vieira (Grande Reportagem). Tinham de ser sacrificados e eu demiti-me, como é sabido”, disse.

Estas declarações de Henrique Granadeiro levaram um deputado socialista a avançar que o seu grupo parlamentar tenciona agora chamar Morais Sarmento à comissão.

Henrique Granadeiro disse ainda que “sempre houve [pressões nos media] e sempre haverá” e que é a forma como são geridas que distingue os administradores ou os jornalistas.

“Acho que as pressões sobre quem está envolvido em media, quer seja jornalista quer seja administrador, são muitas e daí não vem mal ao mundo. O mundo está organizado por interesses e não por escuteiros”, frisou, adiantando que haverá sempre pessoas submissas e jornalistas que se deixam influenciar.

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