Relatório da ONU

Jogos Olímpicos e Mundiais são negativos para as populações

O guarda-redes polaco Dudek e as grandes competições: é bom participar, mas é melhor não olhar aos custos
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O guarda-redes polaco Dudek e as grandes competições: é bom participar, mas é melhor não olhar aos custos Foto: Jason Reed/Reuters

Os grandes eventos desportivos, designadamente Jogos Olímpicos e Mundiais de futebol, são uma oportunidade para impulsionar o direito à habitação digna, mas os efeitos negativos sobre populações e cidades são “alarmantes”, indica um relatório da ONU.

De acordo com a relatora especial das Nações Unidas para a Habitação, Raquel Rolnik, entre os efeitos negativos contam-se a escalada de preços no aluguer e compra de habitação, a redução do número de habitações sociais disponíveis, passando pelo impacto desses eventos junto de grupos vulneráveis ou a expulsão forçada de residentes.

A especialista, que vai apresentar o relatório sexta-feira perante o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, mostra-se “especialmente preocupada com as expulsões forçadas, a criminalização de pessoas sem habitação e actividades informais”, como a prostituição de rua, no contexto desses eventos.

Faz igualmente recomendações, tantos aos governos e cidades escolhidas para acolher esses eventos, como ao Comité Olímpico Internacional (COI), organizador dos Jogos Olímpicos, como à FIFA, organizadora dos Mundiais de futebol, para que tenham em conta o direito a uma habitação digna e o impacto junto das populações no momento de escolher a sede daqueles eventos.

A relatora indica que as “expulsões forçadas e o afastamento de populações constituem actos comuns na preparação de mega eventos.

A especialista citou, como exemplo, as 200 famílias obrigadas a deixar as casas nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, para permitir a construção de estradas, a demolição de 48 mil edifícios e o afastamento compulsivo de cerca de 15 por cento da população da capital sul-coreana, na preparação dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.

Raquel Rolnik sugere mesmo ao COI e à FIFA que só seleccionem as cidades e os países cujas candidaturas cumpram os valores padrão reconhecidos internacionalmente relativos ao direito a uma habitação digna.

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