Empresa envolvida em poluição na Costa do Marfim tenta acordo

A companhia de comércio internacional Trafigura está disposta a pagar compensações a cerca de 31 mil pessoas afectadas pelo despejo, na Costa do Marfim, de resíduos de um navio fretado pela empresa em 2006. A Trafigura continua a declinar qualquer responsabilidade pelas mortes e problemas de saúde que então ocorreram, mas documentos ontem revelados pelo jornal britânico The Guardian mostram detalhes do que terá sido um plano premeditado.

Pelo menos 15 pessoas morreram depois de resíduos do petroleiro Probo Koala terem sido espalhados ao redor de Abidjan, em Agosto de 2006. Milhares de pessoas foram afectadas por náuseas, queimaduras, sangramentos e problemas respiratórios.

A Trafigura até hoje nega que tenha levado o Probo Koala para a Costa do Marfim apenas para se desfazer dos resíduos.

Mas o jornal The Guardian sugere uma história diferente. Emails reproduzidos no diário mostram que a empresa ter-se-á lançado num negócio lucrativo, comprando gasolina mexicana contaminada com enxofre. O material terá sido depois tratado com soda cáustica a bordo do Probo Koala. Daí resultaram resíduos altamente contaminados que ficaram armazenados no navio. "Eu não sei como nos desfazemos dos resíduos, nem estou a sugerir que o despejemos, mas com certeza deve haver alguém a quem pagar para ficar com eles", escreveu um funcionário da Trafigura num email.

A empresa tentou entregá-los a uma empresa no porto de Amesterdão, que os rejeitou por não se tratar simplesmente de resíduos de lavagem de tanques, como se alegava. O material foi depois despejado a céu aberto na Costa do Marfim.

Na quarta-feira, a Trafigura divulgou um comunicado conjunto com o escritório de advogados que está a liderar uma acção colectiva contra a empresa, em nome das vítimas. O comunicado fala de um iminente acordo. "Actualmente, parece possível que este acordo seja aceitável para a maioria, se não a totalidade, dos reivindicantes", diz o texto. A empresa continua, porém, a negar responsabilidades, mantendo que os resíduos do Probo Koala "não poderiam ter causado mortes ou problemas sérios e duradouros".

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