Crítica

Mind At Large

Os Blasted Mechanism deste "Mind At Large" são banda renovada

Ouvem-se trompetes mariachi e o som assemelhado ao alaúde da Kalachacra, um novo instrumento inventado por Valdjiu. Ouve-se a voz samplada do filósofo Agostinho da Silva e, em "Voo de Ícaro", a de Marcelo D2 a juntar-se à de Guitshu, o vocalista, ex-Zedisaneonlight, que substituiu Karkov.

Ouvem-se os Blasted Mechanism, na última canção, avançar por paisagens electrónicas ambientais, por blips e blops em etéreo movimento de ascensão. Ouve-se tudo isto e somos levados a pensar que os Blasted Mechanism deste "Mind At Large" são banda renovada. E são: são-no em palco, com nova estética, e na ferramenta de "realidade aumentada" a que o novo CD, através do site da banda, permite aceder - interacção personalizada com a música e os elementos do grupo, apontada à geração da web.

Tudo aquilo, contudo, não constitui verdadeiramente uma ruptura - nem, sejamos justos, isso seria exigível. Os Blasted Mechanism criaram há muito um universo musical personalizado e imediatamente reconhecível e, em "Mind At Large", mantêm-se firmemente ancorados nele. As canções que não são propriamente canções são um groove percutivo recheado de som (a magrebina "Under the sun"). O frenesim de uma "world music" sem centro definido - tudo concentrado no poder do ritmo e no êxtase escapista comunal, bem explícito no single "Start to move".

A ideia de uma rave onde cabem berimbaus, cítaras, baixos sintetizados, guitarras cósmicas e o sotaque de xamã jamaicano caucasiano que Guitshu adopta de Karkov (impressionante a semelhança entre as duas vozes).

Resumidamente: há novidades, elencadas acima, mas não há surpresa. Os trompetes mariachi de Los Reyes são mero adorno e o planeta Blasted Mechanism continua a rodar como previsto.