Máquina chama-se Watson e é capaz de análises críticas

Computador vs homem no concurso televisivo Jeopardy

O Jeopardy requer uma nova abordagem para os computadores, uma vez que o concurso lida com muitos enigmas, frases feitas, ironias e subtilezas
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O Jeopardy requer uma nova abordagem para os computadores, uma vez que o concurso lida com muitos enigmas, frases feitas, ironias e subtilezas Reuters

A gigante dos computadores IBM, que já derrotou um campeão de xadrez com o seu super-computador Deep Blue em 1997, prepara-se agora para um novo desafio: quer pôr uma nova máquina, chamada Watson, a enfrentar um humano no famoso concurso televisivo norte-americano Jeopardy.

O super-computador Watson é um sistema informático que responde a perguntas, baseado numa linguagem natural, explica a BBC, citando fonte da IBM. “O objectivo é pormos o Watson a pensar e a interagir em termos humanos”, indicou David Ferrucci, um analista de inteligência artificial da empresa de informática. “O Watson vai tentar entender a pergunta do apresentador a um nível rudimentar e fornecer uma resposta certa”, indicou o mesmo responsável.

Nos últimos dois anos, os cientistas têm estado a tentar aperfeiçoar o sistema em que corre o Watson, que foi baptizado em honra do fundador da IBM Thomas J. Watson (sénior).

Em 1997, um super-computador chamado Deep Blue derrotou o campeão de xadrez Garry Kasparov numa outra batalha de humanos versus máquinas. Para conseguir atingir esse feito, a empresa construiu um computador capaz de processar 200 milhões de jogadas de xadrez por segundo tendo por base um mesmo problema.

Desta vez o Watson enfrenta um problema diferente, que requer uma nova abordagem, uma vez que o concurso Jeopardy lida com muitos enigmas, frases feitas, ironias e subtilezas, que, apesar de relativamente fáceis para os humanos, são um enorme desafio para os computadores.

As regras do jogo serão ligeiramente alteradas para este desafio. O Watson irá receber as perguntas em formato de texto electrónico, ao passo que os concorrentes humanos terão acesso às perguntas em formato de texto e áudio, lidas pelo apresentador do programa, Alex Trebek. Para que o concurso seja justo para todos, o Watson não estará ligado à Internet. As suas respostas certas terão que constar da sua memória, tal como os humanos se servirão dos seus cérebros.

Google com esteróides

“O Watson vai precisar de recorrer ao seu pensamento crítico. Será preciso muito mais do que apenas tecnologia”, declarou Harry Friedman, um dos produtores executivos do programa. “Quando as pessoas ficam a saber deste projecto perguntam se isto não será o Google com esteróides. Não, não é!”

A IBM espera que os produtores consigam levar de novo à televisão um dos grandes campeões do concurso: Ken Jennings, que ganhou 74 vezes consecutivas, arrecadando um prémio final de mais de dois milhões de dólares em 2004. “O Ken é o melhor e ninguém chega perto. Era mesmo ele que o Watson precisava para que isto possa ser um grande teste”, estimou o analista David Ferrucci.

Por detrás desta encenação mediática, a IBM tem em vista um objectivo mais sério que é o de dar às empresas mais capacidade de decisão, fornecendo-lhes mais dados e mais análises, porque conhecimento é poder. Aplicado ao universo corporativo, o Watson poderia absorver e “mastigar” quantidades incríveis de informação e, em função dela, ajudar os seus “donos” a tomar uma decisão, analisando os factos de forma crítica. O Watson é, em última análise, um super-computador a trabalhar em termos humanos, entendo as subtilezas de sentido daquilo que analisa.

Notícia alterada às 13h20