Cinco perguntas a... JOÃO ROSAS

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João Rosas, 28 anos, estreia-se na longa-metragem com "Birth of a City", apresentada no IndieLisboa na secção paralela Cinema Emergente e uma de quatro longas nacionais a concurso na competição nacional de longas.

Após a publicação de livros de contos, várias colaborações jornalísticas, estudos de cinema em Bolonha e Londres e três curtas-metragens, João Rosas, 28 anos, estreia-se na longa-metragem com "Birth of a City", apresentada no IndieLisboa na secção paralela Cinema Emergente e uma de quatro longas nacionais a concurso na competição nacional de longas. Acompanhando o processo de criação da pintora francesa Clare Fhays a par do seu fascínio pelo bairro londrino de Hackney, "Birth of a City" é um invulgar filme-ensaio sobre Londres, e é também o seu trabalho de fim de curso da London Film School.A forma de "Birth of the City" é bastante invulgar.

Não foi intencional, as coisas desenvolveram-se muito por acaso. A ideia era fazer um filme que interagisse com a cidade; fazer um filme sobre a cidade onde há uma pessoa que está a fazer a sua própria cidade nunca esquecendo o que se estava a passar na cidade real. Não quis fazer diferente só por ser diferente - era a forma que se adequava. Vejo-o mais como uma tentativa de cinema do que como um filme.

De início, parece que vai ser um documentário tradicional...

Andava há meses a tentar escrever um filme em que Londres fosse a personagem principal, e não estava a conseguir. Conheci a Clare por acaso, ela também morava em Hackney, disse-me que pintava cidades, que ia começar um quadro grande e de um dia para o outro decidi começar a filmar sem saber exactamente o quê. Queria filmar o processo da pintura mas sem fazer um filme de arte, é um terreno que não me interessa muito. Quando vi alguns quadros e a técnica que ela usava, a relação dela com a arquitectura e com o bairro, que era muito semelhante à minha, comecei a rodar.

Como é essa tua relação com Londres?

Vivi sempre no mesmo bairro durante três anos e aquilo nunca deixou de me fascinar, a sensação um bocado infantil de não saber o que vai acontecer, como se não existisse uma rotina. O que me levou a filmar foi uma tentativa quase de embalsamar aquela zona de Londres na minha cabeça, a minha relação com as ruas, tentar perceber porque é que aquilo é tão viciante... É o contrário da minha experiência em Lisboa - pode soar um bocado pretensioso, mas não tenho esta liberdade em Lisboa, não consigo distanciar-me da cidade, pelo tamanho e pela relação de proximidade.

A certa altura, diz-se que "o problema dos artistas é a arte". O filme é sobre a arte que existe no quotidiano?

Uma arte do quotidiano no sentido de uma arte que não seja demasiado complexa, que não seja só para os artistas e que não esteja fechada numa torre de marfim. É também uma reacção contra a pequena praga dos artistas do Leste de Londres - toda a gente é artista e a arte torna-se numa fachada para um lado hedonista sem substância. As pessoas levam-se demasiado a sério.

Como definirias "Birth of a City"?

Londres, Hackney, uma rapariga que pinta, uma banda que toca, umas férias de verão, uma crise financeira, operários que trabalham, vendedores que vendem, comboios que deslizam, autocarros que partem e um rapaz que tenta filmar cada história que a cidade tem para lhe contar.

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