Igreja evangélica brasileira monta ringue de luta livre para tentar captar jovens fiéis

Graças a esta arrojada campanha de marketing e proselitismo, o templo de Alphaville está a acolher aquele que deverá ser o primeiro campeonato de artes marciais disputado num espaço religioso. A modalidade em causa, que mistura técnicas do boxe e do kataré, é conhecida no Brasil pelo nome de “vale-tudo”, expressão que parece também aplicável ao mais disputado campeonato da conquista de crentes.

De acordo com a reportagem d’"A Folha de S. Paulo", o facto de as lutas serem disputadas sob supervisão divina não implica qualquer prejuízo ao habitual fervor daquele desporto: a pancadaria é tão abundante como em qualquer ginásio, a assistência é entusiasmada e ruidosa e o único limite imposto pelo bispo da igreja prende-se com a proibição do tabaco e do consumo de álcool no recinto.

O locutor dos combates tem também algumas peculiaridades: tem a cabeça rapada e usa uma camisola de alças, mas utiliza o púlpito habitualmente ocupado pelos pastores da congregação e é, ele mesmo, apesar da indumentária tribal, um dos pastores da Igreja Renascer. Nos intervalos das lutas, conta aos presentes que foi toxicodependente e exorta-os a converterem-se. A contabilidade é animadora: "Cerca de 60 jovens entregaram a vida para Jesus", diz o bispo Leandro Miglioli, citado pela "Folha".

Satisfeita, a igreja promete organizar um segundo campeonato ainda este ano. Entretanto, o mesmo templo da Renascer recebe treinos de jiu-jitsu duas vezes por semana.

A Igreja Renascer em Cristo, fundada em 1986 e considerada a segunda maior congregação neopentecostal brasileira, foi, recorde-se, notícia muito recentemente, em, Janeiro, quando o tecto do seu templo principal, em S. Paulo, desabou sobre os fiéis, provocando nove mortos e 108 feridos. O futebolista Kaká, do Milan, é o mais famoso dos crentes da Renascer.

Notícia corrigida às 9h48