Greenspan: livre mercado é incapaz de se auto-regular

Alan Greenspan mostra-se chocado com a dimensão da crise financeira
Fotogaleria
Alan Greenspan mostra-se chocado com a dimensão da crise financeira Kevin Lamarque/Reuters (arquivo)
Fotogaleria

Alvo de críticas por parte de vários membros do comité que realiza audições sobre a situação dos mercados, Greenspan confessou-se chocado com a dimensão da crise financeira. "Há 40 anos ou mais que tinha uma evidência muito clara de que o mercado livre funcionava muito bem", reconheceu Greenspan. Admitiu, depois, o grave erro em que incorreu quando se opôs à regulação do mercado de derivados. "Presumi, erradamente, que o interesse próprio das organizações, nomeadamente dos bancos, era suficiente para que eles protegessem os seus accionistas."

Considerado por muitos como o "maestro infalível" do sistema financeiro, a voz que os mercados reverenciavam, Greenspan surgiu no Congresso com uma atitude de perfeita resignação e de distanciamento em relação às políticas que defendeu ao longo de quatro décadas. E foi confrontado com duras críticas. Por exemplo, do democrata que lidera a comissão de supervisão do Congresso. "O senhor teve a autoridade para prevenir as irresponsáveis práticas de empréstimo que conduziram ao subprime. Foi avisado para fazer alguma coisa. Agora, toda a economia está a pagar o preço", afirmou Henry Waxman.

Greenspan não evitou a questão. E reconheceu que deveria ter avançado com a regulação dos mercados onde se transaccionavam os chamados produtos tóxicos que estão na origem da actual crise - a mistura explosiva de hipotecas com títulos de dívida que eram depois vendidos a outros investidores.

O antigo presidente da Fed aproveitou a audição para dar uma visão pessoal do que será o cenário macro-económico no fututo próximo: mais desemprego, menos consumo das famílias. Greenspan diz que é necessário que o preço das casas estabilize para que se ponha termo à crise.

Sugerir correcção
Comentar