Circo Victor Hugo Cardinali diz que “o animal estava a dormir”

Associação Animal acusa circo de maus tratos a um elefante que terá desmaiado

O circo garante que o elefante estava "a dormir"
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O circo garante que o elefante estava "a dormir" Associação Animal

Um elefante do Circo Victor Hugo Cardinali terá colapsado enquanto o grupo estava acampado em Tavira. A denúncia foi feita por um membro da Associação Animal, que fotografou o incidente e terá sido depois obrigado a abandonar o local. O circo desmente a associação e afirma que o elefante estava a dormir e que se encontra bem de saúde.

Tudo aconteceu na manhã de ontem, quando um dos membros da Animal diz ter presenciado um dos três elefantes presentes em Tavira a colapsar e a ficar caído no chão, no mesmo local estaria também um leão “em claro mau estado”. Estes acontecimentos foram fotografados por essa testemunha que terá depois pedido auxílio para que fosse chamado um veterinário ao local. Segundo a mesma fonte, o pedido de ajuda foi ignorado e uma funcionária do circo Victor Hugo Cardinali obrigou o activista da Animal a afastar-se.

Miguel Coutinho, presidente da Animal, diz que “este caso é um sintoma do que se passa” e acrescenta: “os circos põe e dispõem destes animais”.

Contactada pelo PÚBLICO, Filomena Cardinali desmentiu o sucedido: “Nenhum elefante colapsou, o que aconteceu foi que dois estavam de pé e outro a dormir”. De acordo com Filomena Cardinali, uma mulher pode ter-se assustado ao ver um dos animais no chão, mas acrescenta que “não se passa nada". "Os animais estão em muito boas condições e são vistos sempre por veterinários”.

No entanto, Miguel Coutinho alerta que “só este ano já morreu um leão, um cavalo e um elefante” pertencentes ao mesmo circo. Para o presidente da associação “o Estado, que deve fiscalizar estes casos, encontra-se em negação”.

Entretanto, o circo Victor Hugo Cardinali deslocou-se de Tavira para a cidade de Faro. O PÚBLICO tentou contactar um responsável da Câmara Municipal de Faro (CMF) para saber em que condições estavam os animais, no momento da vistoria, obrigatória por lei para que um espectáculo deste género se possa fixar numa cidade. Ilda Alberto, da secretaria-geral da CMF, confirmou que “o circo recebeu autorização para actuar na cidade” e referiu que “a vistoria contém seis pontos”. Questionada se esses pontos se tratavam de ‘chamadas de atenção’, Ilda Alberto disse que sim mas que não podia revelar sobre o que se tratavam. O PÚBLICO tentou depois contactar Ana Correia, veterinária da CMF, para saber em que estado se encontravam os animais, nomeadamente o elefante que caiu no chão, mas esta não quis prestar declarações e remeteu qualquer informação para o gabinete de relações públicas da CMF. O PÚBLICO voltou a tentar, por várias vezes, entrar em contacto com algum responsável da Câmara mas sem sucesso.

Miguel Coutinho afirma que “não há um sítio no país onde um circo chegue e não haja queixas das pessoas” e defende que é “o princípio do vale-tudo que continua a vigorar no país”.

O presidente da Animal relembrou também vários incidentes envolvendo animais como os dois tigres que, no início do ano fugiram de um camião de transporte do Circo Chen abandonado numa estrada nacional na Azambuja e o tubarão do Circo Aquático Cardinali que morreu depois do reboque-aquário onde viajava ter sido destruído por um incêndio.