Reserva Federal não quis intervir

Lehman Brothers, um dos maiores bancos dos EUA, declara falência

O Barclays, o último banco interessado em comprar o Lehman, retirou-se da corrida no domingo.
Fotogaleria
O Barclays, o último banco interessado em comprar o Lehman, retirou-se da corrida no domingo. Brendan McDermid/Reuters
Fotogaleria

O banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers anunciou que se iria declarar hoje em falência, para proteger os seus activos e maximizar o seu valor.

Em comunicado, o banco acrescentou que a declaração de falência, aprovada pela direcção, iria ser apresentada no imediato na Câmara de Falências para o distrito sul de Nova Iorque.

“Os clientes do Lehman Brothers, incluindo os clientes da sua filial Neuberger Berman Holdings, poderão continuar a negociar os seus títulos e a tomar as decisões que acharem por bem relativamente às suas contas”, afirma-se na nota.

O banco perdeu cerca de 3,9 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) no terceiro trimestre do ano, depois de ter sido obrigado a importantes depreciações nos seus activos devido à crise no mercado imobiliário, originada pela criação de produtos financeiros suportados em créditos de famílias norte-americanas que não tinham capacidade financeira para pagar as dívidas. A estes produtos financeiros foi dado o nome de "subprime" - crédito hipotecário de alto risco.

A declaração de falência do banco segue-se às tentativas falhadas do Lehman Brothers de encontrar um comprador, depois de o Barclays, o último banco interessado, se ter retirado domingo da corrida.

O banco britânico considerou que seria impossível adquirir o Lehman Brothers sem uma ajuda federal norte-americana semelhante à concedida em Março ao JPMorgan Chase, quando este adquiriu outro banco em dificuldades, o Bear Sterns, de acordo com “The New York Times” e “The Wall Street Journal”.

Banco com 158 anos de existência

O Lehman Brothers Holdings, o quarto maior banco de investimento norte-americano, sucumbiu à crise do crédito de alto risco (“subprime”) que ajudou a criar, no maior processo de falência da história do mercado financeiro, escreve a Bloomberg online.

Fundado em 1850 por três judeus imigrantes da Alemanha, a empresa conseguiu resistir durante 158 anos de existência à Grande Depressão dos anos de 1930 e ao colapso da gestão de capital de longo prazo ocorrido há dez anos. Mas hoje deu por terminada essa fase, ao anunciar o preenchimento do capítulo 11 no tribunal de falências de Manhattan, em Nova Iorque.

Para além do britânico Barclays Bank, também o Banco da América mostrou-se interessado em analisar o dossier Lehman, mas acabou por comprar um seu rival, a Merrill Lynch, por 50 mil milhões de dólares (30 mil milhões de euros).

A dívida do Lehman supera os 613 mil milhões de dólares (430 mil milhões de euros), um valor que ultrapassa o anterior recorde, pertença da WorlCom, o grupo de telecomunicações que faliu em 2002, e o Drexel Burnham Lambert que seguiu as mesmas pisadas em 1990. O seu valor de mercado caiu 94 por cento este ano, dos quais 40 por cento ocorreram na semana passada.

Texto actualizado às 10h30