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Álbum de Ricardo Ribeiro com Abou-Khalil considerado pela "Songlines" um dos dez melhores do mundo

A revista qualifica Ricardo Ribeiro de "estrela nascente no panorama fadista", elogiando a sua voz
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A revista qualifica Ricardo Ribeiro de "estrela nascente no panorama fadista", elogiando a sua voz Miguel Madeira

O álbum que o fadista Ricardo Ribeiro gravou com o músico libanês Rabih Abou-Khalil foi considerado pela revista britânica "Songlines", na sua edição deste mês, um dos dez melhores na área da "world music".

Editado pela Enja Records, o álbum intitula-se "Rabih Abou-Khalil em português" e nele se juntam à música do libanês poemas originais de José Luís Gordo, Mário Raínho, Rui Manuel, António Rocha ou Tiago Torres da Silva.

A excepção deste disco é "Casa da Mariquinhas" de Silva Tavares e do "famoso Alfredo Marceneiro", escreve a revista.

Sobre o álbum, a "Songlines" escreve tratar-se de "uma parceria extraordinariamente bem sucedida, criando algo totalmente original em que, ao mesmo tempo, cada uma das partes mantém a sua autenticidade".

A revista qualifica Ricardo Ribeiro de "estrela nascente no panorama fadista", elogiando a sua voz. Para o crítico da "Songlines", a "voz rica e distintiva" do fadista e "a beleza da poesia" não deixam "quaisquer dúvidas de que o seu coração está com o fado".

Este projecto começou no ano passado por iniciativa do encenador Ricardo Pais, que apresentou os dois artistas, seguindo-se espectáculos em Lisboa e no Porto. Actualmente, os dois têm marcado presença em festivais europeus, o próximo do quais em Itália, dia 23, e depois na Sérvia. "É um projecto que me enche de orgulho pela satisfação que foi trabalhar com um extraordinário músico, e pela forma como o trabalho fluiu, sem forçar nada, correndo tudo muito naturalmente", disse à Lusa Ricardo Ribeiro.

Além de Ribeiro e Abou-Khalil (alaúde), participam no álbum Luciano Biondini (acordeão), Michel Godard (tuba) e Jarrod Cagwin (tambor tradicional árabe).

Relativamente aos poemas, Ricardo Ribeiro indicou ter escolhido poetas com os quais se identifica, "sendo todos autores contemporâneos e vivos, exceptuando Silva Tavares". "Casa da Mariquinhas", "Adolescência perdida", de autoria do fadista António Rocha, "Já não dá como está", de Rui Manuel, e "No mar das tuas pernas", de Tiago Torres da Silva, são, de um grupo de 12 temas, os favoritos do cantor. "Na realidade gosto de todos os poemas, por isso os escolhi, mas estes têm um gosto especial", justificou.

"'No mar das tuas pernas' surgiu porque o Rabih queria uma letra erótica, quase pornográfica, como indicava a cadência da sua composição musical", explicou. "No caso de 'Casa da Mariquinhas' que é um poema que permite uma leitura nas entrelinhas, a música de Khalil é muito subtil, com descida nas escalas nessas segundas leituras, e depois um ritmo mais acelerado", acrescentou.

A lista dos dez melhores álbuns inclui ainda outro em português, "América Brasil", do brasileiro Seu Jorge, já editado em Portugal.

Os restantes álbuns destacados pela "Songlines" são: "Wanderlust", de Kiran Ahluwalia, "The syliphone years" de Balla et ses Balladins, "Low culture", de Jim Moray, "Café de los maestros", produzido por Gustavo Santaolalla e que integra vários intérpretes de tango argentinos.Santaolalla recebeu um Óscar para a Melhor Banda Sonora Original por "O segredo de Brokeback Mountain".

"Upmixing", de Warsaw Village Band, "Saban", de Saban Bajramovic & Mostar Sevdah Reunion, "Madagascar Mali Maroc: 3MA", de Rajery, Ballake Sissoko & Driss El Maloumi e "In the 7th moon...", de Kasai Allstars, completam a selecção dos dez melhores do mundo na opinião da "Songlines".