Energia

ONU diz que biocombustíveis podem pôr em risco luta contra a fome no mundo

Muitas explorações estão a deixar de produzir alimentos para passar a produzir biocombustíveis
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Muitas explorações estão a deixar de produzir alimentos para passar a produzir biocombustíveis Pedro Cunha (arquivo)

A agência da ONU responsável pela luta contra a fome no mundo alertou hoje a União Europeia para os perigos dos biocombustíveis, que alimentam a subida dos preços dos alimentos. Os 27 Estados membros da UE querem ter, até 2020, dez por cento de biocombustíveis nos transportes.

Josette Sheeran, directora do Programa Alimentar Mundial (PAM), sublinhou hoje numa audição com eurodeputados em Bruxelas que muitas explorações estão a deixar de produzir alimentos para passar a produzir biocombustíveis.

Por causa desta alteração, “os preços dos alimentos estão a atingir um tal nível que, por exemplo, o óleo de palma em África atingiu o mesmo nível do preço do combustível”, salientou Sheeran.

A responsável reconheceu que o aumento dos preços das matérias-primas agrícolas e dos géneros alimentares dos últimos meses também se devem à especulação dos mercados.

Sheeran lembrou que numerosos países industrializados estão a escolher desenvolver os biocombustíveis, produzidos a partir de matérias-primas agrícolas, devido ao aumento ininterrupto dos preços dos biocombustíveis.

“Isso até pode ser um bom negócio para os agricultores. Mas a curto prazo, os mais pobres do planeta serão gravemente afectados”, porque as culturas destinadas aos biocombustíveis tendem a substituir aquelas destinadas à alimentação humana.

Na terça-feira, a Agência de Avaliação Ambiental da Holanda apresentou um relatório onde afirma que os biocombustíveis feitos a partir de plantas como o milho, trigo ou cana-de-açúcar será preciso ocupar entre 20 a 30 milhões de hectares com culturas energéticas, dos quais 16 milhões na Europa.

No final de Fevereiro, a FAO (Food and Agriculture Organisation), lançou um alerta considerando que o aumento do preço do milho e do trigo está a tornar-se “uma grande preocupação global”.