Intervenção na liberalização das farmácias é "urgência" para nova dirigente

Irene Silveira eleita bastonária da Ordem dos Farmacêuticos

Silveira promete uma "atitude diferente", mais "dialogante e com urbanidade"
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Silveira promete uma "atitude diferente", mais "dialogante e com urbanidade" PÚBLICO

A intervenção da Ordem dos Farmacêuticos no processo de liberalização da propriedade das farmácias, desencadeado pelo Governo, é a grande "urgência" para a nova bastonária, Irene Silveira.

Em declarações à Lusa após o anúncio da vitória nas eleições para o cargo, com 54 por cento dos votos, Silveira salientou que estão previstos seis meses para elaboração da nova regulamentação, pelo que é necessária uma intervenção rápida. "Vamos ter um bom diálogo com as autoridades, com o Ministério da Saúde", vaticinou a nova bastonária, que substitui Aranda da Silva e torna-se a primeira mulher a escalar até ao topo da classe dos farmacêuticos, profissão que é exercida maioritariamente por mulheres.

Em relação ao seu antecessor, Silveira promete uma "atitude diferente", mais "dialogante e com urbanidade", sem deixar de "expor quais são as pretensões" da classe. "Endurecer [nos contactos com o Governo] não, eu sou pelo diálogo", afirmou à Lusa Irene Silveira.

O diploma publicado este mês pelo Governo sobre a liberalização das farmácias prevê a apresentação de legislação no espaço de seis meses. A orientação é de permitir a qualquer pessoa ser proprietária de farmácia, com excepções para os profissionais de saúde prescritores de medicamentos, empresas de distribuição de medicamentos, indústria farmacêutica, empresas prestadoras de cuidados de saúde ou associações representativas das farmácias.

Em relação à proposta inicial, o Governo alterou aindao número máximo de farmácias por proprietário de uma para quatro.

Irene Silveira, professora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra obteve 1.621 votos entre 3.056 votantes, no sufrágio de quinta-feira, cujos resultados foram hoje apurados, batendo a concorrente da Lista A, que também tinha à frente uma mulher, Maria Filomena Leal Cabeça. Durante a campanha, defendeu a reformulação do actual sistema de renovação da carteira profissional para haver também uma valorização da experiência diária integrada no acto farmacêutico.

Criticou também a venda dos medicamentos não sujeitos a receita médica "sem a garantia e o controlo efectivo pelo farmacêutico", numa decisão governamental "mal acompanhada pela Ordem que não conseguiu contrapartidas político/ profissionais".

A submissão das estruturas à desregulamentação do sector da saúde, e em particular do sector farmacêutico, é um pesado fardo", argumentou a farmacêutica, prometendo "denunciar tudo o que ponha em causa a saúde pública" e "defender as reais capacidades do farmacêutico".

Entre os objectivos da candidatura de Irene Silveira estão ainda o fomento do diálogo com as faculdades de farmácia, o incentivo dos colégios que desenvolvem um programa formal de aconselhamento e desenvolvimento de carreiras e a mudança dos serviços administrativos da OF para um local mais funcional e moderno.

Durante a campanha, foi visível o atrito com o bastonário cessante, Aranda da Silva, que veio a público afirmar-se "desagradavelmente surpreendido" com as críticas de Irene Silveira aos moldes da renovação da carteira profissional e à relação entre a Ordem e o Governo. "As bases do sistema de qualificação e formação para a renovação da carteira profissional foram traçadas durante a direcção da qual a professora Irene Silveira fazia parte. E, nos últimos seis anos, foram realizadas dezenas de reuniões e nunca a vi levantar objecções", disse Aranda da Silva, em declarações à Lusa.