Anúncio do coordenador da comissão técnico-científica da candidatura

Candidatura de Marvão a Património da Humanidade retirada para evitar a sua anulação

A comissão da candidatura de Marvão está a equacionar a possibilidade de avançar com um processo conjunto com outros sítios de igual valor patrimonial em Portugal ou Espanha
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A comissão da candidatura de Marvão está a equacionar a possibilidade de avançar com um processo conjunto com outros sítios de igual valor patrimonial em Portugal ou Espanha DR

A candidatura de Marvão a Património da Humanidade, pela UNESCO, vai ser retirada para evitar a sua anulação, anunciou hoje o coordenador da comissão técnico-científica da candidatura, Domingos Bucho.

Em declarações aos jornalistas, Domingos Bucho adiantou que a comissão da candidatura de Marvão está a equacionar a possibilidade de avançar com um processo conjunto com outros sítios de igual valor patrimonial em Portugal ou Espanha.

"Estão em estudo várias hipóteses e poderemos avançar, quando ainda não sabemos, se o Governo português e a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) mostrarem que vale a pena continuar a trabalhar", afirmou.

A decisão de retirar a candidatura de Marvão está relacionada com o facto de o ICOMOS (Conselho Mundial de Monumentos e Sítios), um órgão consultivo da UNESCO que propõe os bens para a classificação de Património Cultural da Humanidade, ter dado parecer negativo à candidatura de Marvão.

O anúncio oficial de retirada da candidatura foi feito após uma reunião de trabalho da comissão de candidatura com a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, que hoje termina uma visita de dois dias ao distrito de Portalegre.

Fonte ligada ao processo da candidatura de Marvão a Património da Humanidade explicou à Lusa que um dos argumentos em que o ICOMOS se baseou para dar parecer negativo reside no facto de "Marvão não ser único", existindo outros locais no mundo com as mesmas características daquele sítio.

A candidatura de Marvão a Património Mundial começou a ser preparada no final de 1998, por um grupo técnico-científico criado pela autarquia para o efeito e foi entregue à Comissão Nacional da UNESCO em Fevereiro de 2000, que a aprovou em Maio do mesmo ano.

O "dossier" da candidatura, que integra, entre outros documentos, o videograma "Marvão-Obra única do Homem e da Natureza" e o livro "Fortificações de Marvão", foi depois enviado para a Comissão Internacional da UNESCO, que o aceitou.

Marvão passou, então, a integrar a Lista Indicativa, na qual são mencionados os motivos a propor pelo governo português para a futura classificação da vila como Património Mundial. O passo seguinte passou pelo envio de documentação à Comissão Nacional da UNESCO, mencionando os aspectos técnicos e científicos em que se fundamenta a candidatura para uma eventual aprovação internacional.

A partir de 2002 - e por decisão do Comité de Património Mundial da UNESCO - cada país passou a poder apresentar apenas uma candidatura, tendo o governo português optado pela Vinha da Ilha do Pico, preterindo a Várzea de Santarém e o sítio de Marvão.

Em 2003, Portugal candidatou as Ilhas Selvagens, na Madeira, ficando assegurado que a apresentação da candidatura do sítio de Marvão, distrito de Portalegre, ocorreria em 2004, o que veio a verificar-se.A decisão final da UNESCO era aguardada para Julho.

Marvão, urbe recortada por ruas estreitas de orientação incerta, demarcadas por um regrado casario branco, está "cercada" por uma cintura de muralhas seiscentistas, a mais de 850 metros de altitude.Conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, recebeu o primeiro foral, concedido por D. Sancho II, em 1226.

A sua importância como centro militar foi testada nos séculos XII e XIII e mais tarde serviu de "sentinela" atenta às disputas territoriais com Castela.

Do seu vasto património cultural consta o castelo (Monumento Nacional), uma importante e imponente obra da arquitectura militar, cuja actual configuração remonta, em grande parte, ao reinado de D. Dinis.Realce também para a Rua do Espírito Santo (Antiga Rua Direita), onde ainda se conserva a casa do Governador, além dos ferros forjados em destaque nos varandins graníticos.

A Igreja do Espírito Santo, com um portal renascentista e uma janela Manuelina, e o Pelourinho do século XVI (Imóvel de Interesse Público) fazem igualmente parte do património local, tal como o Convento de N. S. da Estrela, por onde passou a ordem dos Franciscanos.