Base de dados foi a mesma

Nova empresa resolveu colocação de professores em seis dias

Em menos de uma semana, o problema ficou resolvido
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Em menos de uma semana, o problema ficou resolvido Adriano Miranda/PÚBLICO

O problema da colocação de professores foi resolvido através de uma nova solução informática pensada em seis dias e executada em 30 minutos, com o apoio de um novo servidor vindo de Espanha. A revelação foi feita por um dos cinco elementos da equipa da ATX Software, empresa externa contratada pelo ministério da Educação para "desbloquear" o programa informático de colocação de professores criado pela Compta.

A partir da mesma base de dados do ministério que contém todos os docentes por colocar, a ATX Software criou um novo algoritmo, ou seja, uma solução informática, "pensado na íntegra durante seis dias e baseado em princípios matemáticos muito sólidos", afirmou ontem o engenheiro informático e autor da solução, Luís Andrade, durante uma conferência de imprensa, em Lisboa.

Uma operação que "foi um recorde de tempo para a empresa", num trabalho do género, e que parece dar garantias de fiabilidade. "Até ao momento não foi reportado à equipa técnica qualquer erro", disse Luís Andrade, admitindo que o sistema é aplicável em futuros concursos de docentes.

Para explicar a forma como os professores foram colocados através da nova solução informática, Luís Andrade socorreu-se do exemplo de uma sala de cinema, em que há docentes com lugares garantidos (os que pediram destacamento). Estes professores "saem da sala, são ordenados e voltam a entrar já nos novos lugares", explica Luís Andrade. Depois, os restantes professores são colocados 'na sala' por tentativas (tendo em conta os critérios previstos por lei), à medida que o número de 'cadeiras' vai diminuindo. Ao todo foram cinco tentativas, executadas em 30 minutos.

Anteriormente, o programa criado pela Compta - a empresa contratada pelo ministério para criar um "software" destinado a colocar professores nas escolas no ano lectivo 2004/2005 - demorava sete horas a "correr", o que levou a equipa da ATX a pensar numa nova solução, em vez de tentar resolver o sistema antigo.

A operação, segundo a ATX, só foi possível graças à Microsoft, que se disponibilizou para trazer de Espanha um servidor (da HP), sem custos adicionais.

O trabalho da ATX Software permitiu ao ministério da Educação divulgar "on-line" as listas de professores dois dias antes do prazo que tinha sido indicado pela ministra quando, há uma semana, anunciou que a colocação seria feita manualmente, depois da Compta ter falhado as datas de publicação.

Em relação ao trabalho levado a cabo pela Compta, Luís Andrade não quis fazer qualquer comentário por razões éticas. Apenas adiantou que a empresa se prestou a colaborar na informação pedida pela ATX.

O Ministério da Educação não quis revelar o montante envolvido na contratação da nova empresa, feita por ajuste directo, declarando apenas que se trata de uma quantia "irrisória" face à de que resultaria de um contrato "normal". Quanto à relação contratual com a Compta, o porta-voz do ministério da Educação afirma que "está tudo em cima da mesa", já que a prioridade é iniciar o ano lectivo.

A ATX é uma empresa nacional, detida por accionistas individuais (75 por cento) e pelo grupo Ricardo Oliveira (25 por cento), que recentemente comprou esta participação que pertencia à Novabase. Entre as empresas clientes da ATX está o Banco Espírito Santo.

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