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Viseu recebe primeiro congresso bienal sobre língua portuguesa

Xanana Gusmão também será distinguido pela exemplaridade e singular empenhamento na acção política em prol de causas
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Xanana Gusmão também será distinguido pela exemplaridade e singular empenhamento na acção política em prol de causas AFP

Viseu vai acolher entre 19 e 21 de Abril o I Congresso Bienal sobre o papel da língua portuguesa na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e no mundo, organizado pelo Instituto Piaget.

O coordenador do congresso, Fernando Paulo, explicou hoje em conferência de imprensa a importância da iniciativa na afirmação e consolidação da língua portuguesa, que tem "uma dimensão planetária", mas que em alguns países está em competição com outras, nomeadamente o inglês, e corre o risco de ser "apagada".

Fernando Paulo, que é também responsável pelo Centro de Investigação em Língua Portuguesa do Instituto Piaget, lembrou que "há mais de 200 milhões de falantes" de português no mundo, uma grandeza de que há que tomar consciência e lutar para que se mantenha.

Nos três dias de congresso haverá 48 comunicações especializadas e 60 intervenções em painéis, versando temas como o papel da língua portuguesa no projecto planetário da CPLP, a sua importância desde a educação fundamental ao ensino superior e a relação com a comunicação social.

A importância da língua portuguesa no ensino/aprendizagem das Ciências da Saúde, do Direito, das Tecnologias, no Desporto, na Defesa e Segurança e os projectos inter-autárquicos e empresariais no espaço da CPLP são outros temas em debate.

Durante o congresso será instituído o galardão de mérito "E aqueles que por obras valerosas..." (se vão da lei da morte libertando - Camões), que vai premiar pessoas que se têm distinguido como cidadãos de referência na CPLP.

Fernando Paulo anunciou que este ano serão galardoados os escritores Agustina Bessa-Luís e Mia Couto, pela "inovação, originalidade, consistência e universalidade na criação poética", Antônio Huaiss (a título póstumo) e Vítor Aguiar e Silva, "pela profundidade, vastidão, rigor e alcance estretégico-formativo nas áreas dos estudos linguísticos e literários".

O antigo ministro da Educação José Veiga Simão e o Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, serão também distinguidos "pela exemplaridade e singular empenhamento na acção política em prol de causas".

Segundo Fernando Paulo, será também instituído no congresso o prémio literário e ensaístico "Tributo à Língua Portuguesa", que deverá começar a ser atribuído em 2006, com o objectivo de "estimular o crescimento de novos criadores da língua portuguesa".

O prémio destina-se a jovens da CPLP, desde o ensino básico ao superior.

Quer neste caso, quer no do galardão de mérito o prémio "não será o vil metal de que fala Camões", mas um artefacto concebido especialmente para o efeito, um exemplar dos Lusíadas e outras obras literárias e artísticas dos criadores da CPLP, frisou Fernando Paulo.

Será ainda criada a Associação de Amizade e Apoio à Língua Portuguesa, que pretende angariar fundos bibliográficos e recursos didácticos para suprir carências nas escolas mais necessitadas da CPLP, dinamizar práticas de mecenato para o apoio ao ensino/aprendizagem do português, à formação e à investigação nos países com recursos mais limitados e instituir bolsas de estudo para formação, investigação e pós-graduação em língua portuguesa e nas literaturas que nela se exprimem.

Os sócios da associação - que funcionará em Viseu - não terão de pagar cotas, cabendo-lhes apenas contribuir livremente com o que puderem, nomeadamente livros e outros donativos.

Segundo Fernando Paulo, estão já confirmadas as participações no congresso dos presidentes de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, respectivamente Pedro Pires, Fradique de Menezes e Xanana Gusmão.

O Presidente da República de Portugal, Jorge Sampaio, foi também convidado a participar na iniciativa.