No dia 15 de Fevereiro

Portugueses manifestam-se contra a guerra no Iraque

As manifestações são uma das formas de os pacifistas tentarem impedir a guerra
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As manifestações são uma das formas de os pacifistas tentarem impedir a guerra Patrick Baz/AFPI

Está marcada para o próximo dia 15 de Fevereiro uma manifestação a nível nacional contra a guerra no Iraque, inserida nas comemorações do Dia Europeu contra a Guerra no Iraque.

A iniciativa "Juntos Podemos Impedir a Guerra no Iraque", convocada para as principais cidades portuguesas, vai ser "a maior manifestação contra a guerra em Portugal", disse hoje à Lusa Domingos Lopes, um dos organizadores.

A manifestação congrega 59 organizações políticas e da sociedade civil portuguesa, com o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) à cabeça. A data foi escolhida no Fórum Social Europeu que se realizou, em Novembro, em Florença (Itália).

Domingos Lopes, do CPPC, indicou que o protesto se realiza em Lisboa, Porto, Beja e "outras cidades portuguesas" e será "a maior manifestação contra a guerra em Portugal", mas recusou avançar estimativas do número de participantes.

No entanto, uma vez que a iniciativa se estende às principais cidades europeias, o dirigente do CPPC garante que serão "milhões" os manifestantes que em toda a Europa vão defender a paz como alternativa a uma guerra "que tem a particularidade de, à partida, ter todas as opiniões públicas mundiais contra ela".

Por isso, Domingos Lopes renovou hoje o apelo "a todos os portugueses e portuguesas" para que participem na manifestação que, em Lisboa, parte do Largo Camões às 15h00 e segue em desfile até ao Rossio.

O dirigente do CPPC sublinhou por outro lado que já não são apenas as 59 organizações que estão contra a guerra, mas também destacadas personalidades da vida pública portuguesa, algumas delas "tradicionalmente alinhadas à direita", que condenam uma intervenção militar no Iraque.

Questionado sobre a adesão de algumas dessas personalidades ao protesto, designadamente Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral, Domingos Lopes diz que eventuais "acções de concertação de posições" estão ainda a ser avaliadas, precisando que quarta-feira se realiza uma reunião das comunidades religiosas na Capela do Rato, em Lisboa, onde serão abordados os preparativos para a manifestação.

A declaração de apoio "incondicional" do Governo português ao Governo dos Estados Unidos é fortemente criticada pelo dirigente do CPPC, que vê nela "um isolamento daqueles que querem a guerra".

Sobre as hipóteses de êxito desta iniciativa que, mais que europeia, pretende ser mundial, Domingos Lopes não hesita em afirmar que "é possível parar esta guerra" através de um movimento social maciço, até porque "as declarações tonitruantes (de apoio a uma intervenção militar) visam condicionar a opinião pública".