Escândalos de pedofilia na Igreja dos EUA

Papa aceita demissão do cardeal Bernard Law

Os escândalos de pedofilia na Igreja espalharam-se pelos EUA e por alguns países europeus
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Os escândalos de pedofilia na Igreja espalharam-se pelos EUA e por alguns países europeus PÚBLICO

O Papa João Paulo II aceitou hoje o pedido de renúncia do cardeal Bernard Law, responsável máximo pela diocese norte-americana de Boston, onde sofria pressões para abandonar o cargo, na sequência de dezenas de casos de pedofilia que foram encobertos pelo religioso.

O Papa já nomeou o seu substituto: o actual auxiliar de Law, Richard Gerard, que passa assim a administrador apostólico da diocese de Boston.

Bernard Law não protagonizou qualquer caso de pedofilia no seio da Igreja Católica, mas esteve sempre no centro da polémica, assim que veio a público, no início do ano. Agora, Law pede desculpas pela sua conduta. Numa declaração difundida pelo Vaticano, o cardeal apresenta os seus lamentos: "A todos os que sofreram com as minhas faltas e os meus erros, apresento as minhas desculpas e peço o seu perdão".

O religioso adiantou que espera que a sua renúncia traga "cura, reconciliação e unidade".

O papel de Law no escândalo de pedofilia na Igreja

Bernard Law é um dos nomes mais falados desde que, no início do ano, foram denunciados os primeiros casos de abuso sexual sobre menores durante décadas em várias paróquias norte-americanas.

Os actos pedófilos eram cometidos por sacerdotes, tendo alguns religiosos sido levados a tribunal por crimes cometidos nas últimas três décadas. A imagem da Igreja Católica sofreu um violento abalo nos EUA, Alemanha, Polónia e outros países, onde outros casos semelhantes vieram a público.

Law, enquanto responsável pela diocese de Boston, terá encoberto alguns casos, abafando as denúncias das vítimas e não denunciando os suspeitos à polícia. Os padres prevaricadores eram transferidos de paróquia quando surgia algum problema, apesar de se manterem em contacto com crianças e sem ser feito qualquer aviso aos pais.

Esta semana, Law viajou inesperadamente para o Vaticano depois de, no domingo, ter adiado o serviço religioso matinal, após ter sido alvo de uma manifestação de cerca de 400 representantes de grupos de vítimas de padres que cometeram abuso sexual, ao mesmo tempo que se soube que um grupo de sacerdotes da sua diocese fez circular um manifesto a exigir a sua demissão do cargo, segundo o “Boston Globe”.

Esta foi a segunda vez, este ano, que Law se dirigiu ao Vaticano quando há acusações pendentes sobre si. O cardeal já tinha pedido desculpas publicamente pelos seus erros, mas recusara-se sempre a renunciar ao cargo.

O escândalo de pedofilia no seio da Igreja Católica motivou uma mensagem inequívoca do Papa, que condenou a prática. Um conselho de cardeais reuniu-se este Verão, também para decidir como é que a Igreja norte-americana se vai recompor do escândalo. A "tolerância zero" perante qualquer suspeita ou caso de abuso sexual, uma rígida disciplina interna e suspensão de funções religiosas dos perpetradores foram as medidas avançadas pelos altos responsáveis da Igreja nos EUA.