Saramago compara ocupação dos territórios palestinianos a Auschwitz

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Saramago integra a delegação de oito escritores que hoje iniciou um périplo pelo Médio Oriente DR

"O que é preciso fazer é proclamar por todo o mundo que o que está a acontecer na Palestina é um crime que pode ser travado", declarou o prémio Nobel da Literatura de 1998, que integra uma missão do Parlamento Internacional de Escritores (PIE), que hoje iniciou um périplo pela região. "É a mesma coisa (do que Auschwitz), se excluirmos as diferenças de época e local", comparou Saramago.

O PIE, fundado em 1994 e assinado por mais de 500 escritores, realizadores, actores, universitários, activistas pela paz e artistas de todo o tipo, tem como objectivo defender escritores perseguidos.

Com esta deslocação, os oito escritores que compõem a missão — Russell Banks, Breyten Breytenbach, Bei Dao, Vincenzo Consolo, Juan Goytisolo, Christian Salmon, José Saramago e Wole Soyinka — pretendem dar visibilidade ao sofrimento do povo palestiniano. Quando regressarem, cada um deles escreverá o seu testemunho, que será publicado em jornais e revistas.

Israel critica Saramago

"Saramago deu provas de uma cegueira total e de uma amnésia histórica assombrosa ao comparar o que é incomparável", acusou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita.

"Se a situação dos palestinianos é difícil, a responsabilidade pertence aos dirigentes palestinianos que recusaram as ofertas de paz de Israel e que utilizam o sofrimento do seu povo para promover uma visão política que tem por objectivo destruir o Estado de Israel", reagiu o porta-voz, não identificado pela AFP. "Lamentamos que Saramago, que é um escritor lido e apreciado em Israel, tenha caído na armadilha da propaganda palestiniana", acrescentou.

Cerca de dois milhões de judeus foram assassinados pelos nazis nas câmaras de gás do campo de extermínio de Auschwitz, durante a II Guerra Mundial.