Literacia mediática
Poder, verdade e informação: alunos debatem dilemas do mundo digital
Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, em Valadares, promoveu nova edição da Maratona de Debates, este ano dedicada aos desafios das sociedades democráticas.
A Inteligência Artificial (IA) é uma aliada ou uma inimiga? Os riscos da sua utilização pesam mais do que os benefícios para os alunos? E onde está a verdade? Estas foram algumas das questões discutidas pelos alunos da Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves no decorrer da 16.ª edição da Maratona de Debates, um evento organizado pelo grupo de Filosofia, promovido pelo Projeto Oficina de Ideias.
A iniciativa da escola de Valadares (Vila Nova de Gaia) envolveu, no passado dia 22 de abril, cerca de 50 alunos do 11.º ano num exercício de reflexão crítica sobre questões centrais da atualidade. A escolha do tema da edição deste ano — “Poder, verdade e informação” — partiu, segundo a organização, “da constatação de que o acesso massivo à informação não garante, por si só, uma melhor compreensão da realidade”. “Pelo contrário, a disseminação de desinformação e o controlo das redes digitais por estruturas de poder complexas colocam novos desafios às sociedades democráticas, expõem os cidadãos a discursos manipuladores e dificultam decisões informadas”, refere.
Ao PÚBLICO na Escola, Sónia Múrias, professora de Filosofia e uma das organizadoras da iniciativa, sublinha a importância do tema e do projeto, numa altura em que “mais do que nunca, o espaço para debate de ideias está a escassear”. “A verdade anda esquecida nos últimos tempos. Estamos reféns de retóricas de sedução e, por isso, é tão importante este projeto”, afirma.
Quem não se mostrou refém de conceitos rígidos ou de discursos sedutores “vazios” foram os alunos das equipas em concurso, responsáveis por apresentar teses e contra-argumentar. Cada equipa escolheu uma questão-problema, apresentou a sua visão, ouviu os argumentos contrários dos “adversários” e defendeu as suas ideias. Um exercício de reflexão coletiva onde nada ficou por dizer, nem por questionar.
Coube à equipa “Os Empiristas” arrancar os debates, tendo como opositores os “Cronicamente online”. Embora discordantes, como previsto, ambas as equipas frisaram a dificuldade em encontrar a verdade quando os jovens são inundados por informação quase ao segundo. “Mais informação não significa mais verdade” foi um dos argumentos destacados. As expressões IA, democracia, populismo ou poder fizeram parte de quase todas as teses apresentadas e contagiaram a plateia, “obrigada” a pensar e a reconhecer verdade em cada argumento defendido pelos alunos.
Beatriz Dias, estudante do 12º ano, membro da equipa vencedora do ano passado e presidente da maratona de debates, destacou a importância da iniciativa para os alunos da escola. “Estes debates proporcionam um meio para formar a tomada de posições concretas. No fundo, muitas das equipas partilham um mesmo caminho para a verdade e isso leva-nos a ter uma visão para um futuro melhor.”
Já Sónia Múrias salienta a solidez da iniciativa, com mais de década e meia, e o orgulho com o sucesso do projeto. “É tão estimulante para os alunos e para o pensamento crítico. E tão importante para não cair nas armadilhas da retórica. A escola pública tem esse papel essencial”, afirma.






