NOTÍCIA PÚBLICO NA ESCOLA PARA A SALA DE AULA
A ‘poção mágica’ que ajuda o ambiente
Uma empresa portuguesa descobriu como reciclar um tipo de papel que até agora ia para o lixo.
Já usaste etiquetas autocolantes? A etiqueta vem colada num papel onde os dedos escorregam com facilidade, diferente do papel onde escrevemos, por exemplo.
Esse papel tem silicone, que é uma substância que resiste à passagem da água – se molhares uma folha destas, vais perceber que não fica ensopada, como aconteceria com outros papéis.
Não damos conta disso, mas muitos produtos que usamos têm rótulos que são, na verdade, etiquetas autocolantes: garrafas de sumos, garrafas de vinho, frascos de medicamentos e de comida, embalagens alimentares e até as encomendas que recebemos pelo correio, entre outros.
O papel onde esses rótulos estão antes de serem colados nas garrafas ou nos frascos vai parar ao aterro. Não pode ser reciclado como o papel normal. E é mesmo muito papel. Para teres uma ideia: no Alentejo, produzem-se todos os anos 110 milhões de garrafas de vinho. São precisos por isso 110 milhões de rótulos, que, depois de colados nas garrafas, deixam 16 mil quilómetros de papel em fita! Posta em linha reta, essa fita chega do Alentejo à Austrália. E vai tudo para o aterro.
Os irmãos André e Samuel Pinto são donos de uma gráfica que imprime rótulos para garrafas de vinho, no concelho de Porto de Mós (distrito de Leiria]. Ao pensarem na enorme quantidade de papel sem aproveitamento, decidiram contactar a Universidade da Beira Interior, na Covilhã, e falar com o Departamento de Ciências e Tecnologias de Papel. E, juntamente com uma professora desse departamento, inventaram uma solução química secreta que permite reciclar o papel que fica depois das etiquetas serem coladas.
Essa solução química secreta é posta na água dos tanques onde seguidamente o papel é colocado. “A solução química parte as moléculas do silicone em átomos mais pequenos e faz com que o silicone seja dissolvido e neutralizado”, explica Samuel Pinto.
Depois de triturado, do velho papel nasce pasta de papel, pasta de papel essa com que, depois, se fabricam objetos.
O papel dos rótulos das garrafas de vinho do Alentejo que antes ia para o aterro, não ajudando o ambiente, serve agora para fazer caixas que transportam essas mesmas garrafas.
Já ouviste falar em economia circular? É isto.






