Coimbra
Literacia Mediática. Congresso debate comportamentos, narrativas e direitos humanos
Hoje e amanhã o VII Congresso de Literacia, Media e Cidadania leva até à FLUC a discussão sobre como os perigos da desinformação estão presentes em todas as idades.
“Comportamentos, narrativas e Direitos Humanos” estão em debate hoje e amanhã em Coimbra, no VII Congresso de Literacia, Media e Cidadania, que decorre na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
A iniciativa é do GILM (Grupo Informal sobre Literacia Mediática), uma rede de parceiros que desde 2009 promove o debate em torno da Educação para os Media e da Literacia Mediática. Neste encontro de especialistas e peritos da literacia e dos media (a nível nacional e internacional), em conjunto com a comunidade educativa e académica, o grande objetivo é “que todos se encontrem e que saiam daqui inspirados, que possam partilhar as suas práticas, que encontremos aqui algumas respostas, algumas ideias e soluções para os problemas que hoje vivemos”, disse ao PÚBLICO na Escola Fernanda Bonacho, porta-voz deste grupo.
O congresso tem início marcado para as 14h30 desta quinta-feira, prolongando-se até ao final do dia de amanhã. Ao longo destes dois dias são muitos e diversos os convidados, embora todos com o mesmo objetivo, o de discutir “comportamentos, narrativas e Direitos Humanos”, os três eixos que norteiam a literacia, os media e a cidadania. “Pensando nos comportamentos, estamos a pensar também nesta discussão sobre aquilo que se passa particularmente nos ecossistemas digitais, nas plataformas e também no que são as consequências do uso dessas plataformas digitais”, explica Fernanda Bonacho. A professora, especialista em Ciências da Comunicação e Linguagens, sublinha que não está apenas em causa o comportamento dos jovens, “mas de todos nós”. Foi também a pensar nisso que a organização convidou alguns dos oradores, para interligar o tema com a psicologia. Uma delas, Armanda Matos (que em Portugal coordena a rede interuniversitária de investigação Alfamed) vai refletir com a assistência sobre as consequências do uso digital a nível comportamental.
Mas há vários convidados que prometem entusiasmar os mais de 200 inscritos neste congresso, número que poderá sempre aumentar, uma vez que a organização mantém a porta aberta a todos os interessados. Já esta tarde, o primeiro convidado é um desses casos: Paul Mihailidis, reitor interino e professor de Jornalismo e Media Cívicos na Faculdade de Comunicação da Emerson College, em Boston, vai falar sobre como restaurar a “saúde cívica” numa cultura de “distanciamento”.
Mais tarde, o anfiteatro III da FLUC acolhe um painel sobre “Ecossistemas Digitais e (Des)ordens Comportamentais”. Armanda Matos estará acompanhada de Carla Ganito, da Universidade Católica, Isabel Baptista, conselheira de Cibersegurança, e Hugo Simões, do Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho, que leva a este congresso o Plano de Prevenção Anti-Bullying do Agrupamento de Escolas de Ílhavo. “É um exemplo de boas práticas que queremos partilhar com todos”, adianta Fernanda Bonacho. O resto do dia vai ser preenchido com um vasto conjunto de intervenções livres.
O dia de sexta-feira começa cedo, com vários workshops a partir das 9 horas, com inscrição obrigatória para quem quiser participar. A partir das 10h30 o programa destaca o debate sobre “Narrativas mediáticas ou discursos (des)informados”, com a participação de Annemieke Akkermans (consultora sénior em Estratégia e Desenvolvimento Educativo) Charles (Gestor da equipa de Trust Strategy da Google),
Maria José Brites (Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias - CICANT), Nikki Soo (responsável pela área de Safety and Well-being Public Policy na Equipa Europeia de Políticas Públicas do TikTok) e Telmo Gonçalves (ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social).
À tarde, depois de um bloco de comunicações livres, tem lugar a intervenção de Adeline Hulin (chefe da Unidade de Literacia Mediática e Competências Digitais da UNESCO), que falará ao Congresso sobre Literacia Mediática enquanto um direito na era digital. “É claro que não podemos deixar de discutir a questão da desinformação, das narrativas mediáticas, nos discursos jornalísticos, naquilo que é partilhado também nas plataformas”, acrescenta Fernanda Bonacho, enfatizando a preocupação com “a criação de narrativas construídas com uma qualidade incrível, por exemplo com a ajuda da IA (inteligência artificial)”. “Achamos que é muito importante nesta altura trazer para a discussão o modelo europeu para esta discussão dos direitos humanos”, destaca a responsável pela organização.
O congresso contará também com a participação dos jornalistas Tiago Carrasco e Vanessa Rodrigues, com trabalho feito ao nível do documentário, num painel que aborda os Media, Jornalismo e Direitos Humanos. “Diante da fragmentação do espaço público e da perda de referências comuns, é crucial promover discursos baseados em valores universais, como a paz e a dignidade humana. A literacia mediática torna-se, assim, essencial como ferramenta de capacitação individual e para fortalecer a democracia, a coesão social e os direitos humanos”, conclui a organização.






